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Mantega diz que há 'sobrevalorização' do real

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje, que a moeda brasileira está "sobrevalorizada". Em discurso durante o II Fórum Econômico Brasil Itália, Mantega explicou à plateia formada por empresários italianos que a forte atratividade da economia brasileira levou o País a impor uma "pequena tarifa" para limitar a apreciação cambial e evitar uma bolha na bolsa de valores.

ANNE WARTH E LUCINDA PINTO, Agencia Estado

10 de novembro de 2009 | 12h17

"Nós estamos tendo hoje uma sobrevalorização da moeda brasileira, o que dá uma situação vantajosa para outros países comercializarem com o Brasil", afirmou, lembrando que o real acumula uma valorização de 23% ante o euro, superior à apreciação da moeda europeia ante o dólar. Isso, segundo ele, compensa qualquer eventual barreira comercial que possa existir da parte do Brasil. "Isso elimina qualquer prejuízo que possa estar sendo causado por tarifas de importação. As tarifas de importação hoje não são elevadas e são totalmente neutralizadas pela valorização cambial", afirmou, lembrando que o Brasil, atualmente, tem um déficit comercial junto à Itália.

Segundo Mantega, a valorização cambial no Brasil é fruto das boas perspectivas econômicas. Ele estima que o Produto Interno Bruto (PIB) deve encerrar o ano de 2010 com crescimento de 5%, mesma taxa que deve ser verificada nos próximos anos. "Iniciamos um novo ciclo de crescimento", afirmou. E lembrou ainda que, segundo o Banco Mundial, o Brasil, que é hoje a nona economia do mundo, deve chegar a 2016 na quinta colocação.

Mantega também enfatizou que o Brasil tem boas condições fiscais, recorrendo a projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo as quais o País deve encerrar 2009 com déficit nominal de 3% do PIB e, 2010, de 1,5% do PIB. Esse desempenho, segundo ele, é um dos melhores entre todos os países do G-20. Aos empresários italianos, Mantega apresentou as boas oportunidades de investimento, especialmente na área de infraestrutura. E destacou o fato de que a Copa de 2014 deve acelerar ainda mais esse ritmo de desenvolvimento. "Devemos ter muitos investimentos na área de infraestrutura, de modo que o Brasil possa ganhar tranquilamente a Copa, e a Itália fique com o segundo lugar", brincou.

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