Mantega diz que juro bancário reduz crescimento

Segundo ele, o spread adotado pelas instituições financeiras - diferença entre a taxa de aptação e os juros pagos nos empréstimos - ainda não está em nível satisfatório

Gustavo Porto e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

31 de agosto de 2012 | 12h16

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, aproveitou o anúncio do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre - abaixo do esperado - para criticar os juros altos cobrados pelos bancos. Segundo ele, o spread adotado pelas instituições financeiras - diferença entre a taxa de aptação e os juros pagos nos empréstimos - ainda não está em nível satisfatório, o que, segundo ele, prejudica os investimentos no País.

Ele disse que o momento é para se pensar em redução de juros e não em elevação. Mantega fez esta afirmação ao ser questionado sobre a necessidade de retomada do aumento dos juros no próximo ano, diante da previsão da Fazenda de retomada da economia, com perspectiva de crescimento de 4% no próximo ano.

Segundo ele, o governo tem tomado medidas para a redução de preços e custos, o que vai assegurar que a inflação permaneça sob controle. Ainda segundo o ministro, independentemente da Selic, a taxa de juro cobrada pelo mercado vai continuar caindo. "Temos tomado cuidado para que a inflação fique sob controle", disse.

"A economia está preparada para crescer entre 4,5% e 5%, mas diante da crise monumental, fomos afetados, fizemos adaptações e felizmente temos condições de contorná-la", disse Mantega, que em seguida repetiu o bordão de que o País é um dos que saem mais rapidamente da crise, como em 2009, e que isso vai se repetir agora.

Novas medidas

Mantega destacou que o governo irá anunciar novas concessões de portos e aeroportos, que irão se juntar às já anunciadas, mas não deu detalhes dos novos projetos. Ele acrescentou que o custo de logística no País vai cair com o pacote anunciado recentemente pelo governo e que a desoneração para vários setores seguirá. "Vamos terminar o ano com desoneração acima de R$ 40 bilhões".

O ministro reiterou que os investimentos em moradia financiados pela Caixa Econômica Federal devem superar R$ 100 bilhões em 2013 e destacou que o crescimento no primeiro semestre deste ano foi menor porque o crédito ainda estava travado. "No segundo semestre, o crédito deve crescer e o que posso garantir é que a economia está com um crescimento gradual."

O ministro ressaltou que o governo seguirá desonerando a folha de pagamento para a indústria e que as condições de competitividade do setor seguem melhorando por conta do câmbio. "Não esqueceremos do câmbio, o preço em dólar caiu", disse. "E quando melhorar a crise lá fora, o Brasil terá um crescimento fantástico."

Mantega lembrou que o País perdeu exportações no Mercosul por conta da crise, mas avaliou que, quando a economia voltar a crescer, as vendas externas terão uma retomada. "Temos segurança para o investidor brasileiro e o investidor estrangeiro segue depositando confiança no Brasil", completou Mantega, citando que o investimento externo no País em julho foi de US$ 8,4 bilhões

 

 

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