Mantega diz que Lessa não conhece contabilidade do BNDES

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, ironizou hoje a denúncia do professor Carlos Lessa, ex-presidente do banco, sobre uma "maquiagem" que teria sido feita no balanço da instituição financeira. "Quem faz maquiagem é empresa de cosmético, como a Natura", se limitou a comentar, em entrevista coletiva sobre financiamento para a Petrobras nesta manhã. Segundo ele, o professor Lessa "deve estar equivocado" e pode ter falado "algo sem pensar direito". "Para fazer uma afirmação destas, ele (Carlos Lessa) não deve estar inteirado da contabilidade do banco", comentou. Em sua análise, mesmo que tivesse havido alguma distorção, ela não passaria pela análise do conselho e muito menos pela auditoria da Ernst Young. Mantega também lembrou que o ex-presidente foi responsável por dois terços do provisionamento que o BNDES fez - e que teria sido o motivo da diminuição do lucro do banco segundo Lessa. De acordo com os números apresentados por Mantega, R$ 2,6 bilhões foram provisionados em 2005, dos quais R$ 1,5 bilhão na gestão de Lessa, R$ 1,1 bilhão no último trimestre, já na gestão Guido Mantega. Ele afirmou que não poderia divulgar os nomes das empresas para onde foi feito o provisionamento e revelou apenas algumas operações que "são públicas", como o Banco Santos, que teve reservados R$ 300 milhões e o Fundo de Previdência do BNDES, que ficou com outros R$ 300 milhões. Além disso, lembrou ele, houve também uma reclassificação de risco do BNDES, indicada pelo Banco Central. Para esta finalidade foram destinados R$ 427 milhões. Mantega ainda negou que vá entrar na Justiça contra Lessa por suas declarações, publicadas hoje no jornal Estado de S. Paulo.

Agencia Estado,

05 Maio 2005 | 13h27

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