Mantega diz que não há necessidade de subir juro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que não vê necessidade do Banco Central (BC) elevar juros no próximo ano, pois a inflação está sobre controle, dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e a economia brasileira tem capacidade para crescer um pouco acima de 5% com tranquilidade "sem pressionar os índices de preço".

ANNE WARTH E RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

19 de outubro de 2009 | 19h45

"Não vi o Banco Central se manifestar sobre a possibilidade de aumentar juros", afirmou Mantega, ressaltando que não viu o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmar que os juros precisam subir para conter qualquer eventual excesso de aquecimento do nível de atividade, o que, para o ministro, não está ocorrendo e, portanto, não há nenhuma pressão de alta na inflação.

O ministro ressaltou que a taxação de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre ingresso de capitais no País direcionados a aplicações em renda fixa e renda variável foi adotada "de forma preventiva", pois ainda não há registro de ingresso de recursos maciço e prejudicial à economia. Mantega ressaltou que a medida não tem caráter de arrecadação, pois o objetivo principal é estimular o ingresso de capital no País para permanecer por longo prazo. "Uma taxa de 2% para uma aplicação que fica 2 meses apenas significa uma taxa de 1% por mês. Agora, se o investimento é feito por 10, 12, 18 meses, essa taxa fica bem mais diluída e não prejudica o ingresso dos recursos na Bolsa de Valores ou em renda fixa".

O ministro destacou que o Brasil trabalha com câmbio flutuante e que a adoção da alíquota de 2% do IOF não visa estabelecer um patamar específico da cotação do real ante o dólar porque a política econômica do País não tem meta de câmbio. "O que queremos com a taxa é apenas conter qualquer movimento de valorização excessiva da nossa moeda ante o dólar. Queremos, portanto, reduzir o potencial de eventuais movimentos de volatilidade no câmbio."

Bovespa

Mantega disse que a Bolsa de Valores brasileira foi a que mais recebeu entrada de capital estrangeiro desde o início do ano. Segundo ele, até a semana passada a Bolsa recebeu ingresso de US$ 20 bilhões. "É um volume bastante expressivo. Em alguns meses, chegam a entrar US$ 4 bilhões, US$ 5 bilhões até US$ 6 bilhões em aplicação financeira na Bolsa", afirmou o ministro.

"Não há um movimento especulativo propriamente dito, porém temo que com o andar da carruagem isso acabe atraindo não só os bem-intencionados que querem aplicação de longo prazo, mas também os que querem lucro rápido, o especulador. Esse nós não queremos que venha", afirmou. O ministro disse não temer uma novo ataque especulativo no País. "Temos mais de US$ 230 bilhões em reservas. Quem vai fazer ataque especulativo em um País desta magnitude?", questionou.

Mantega reiterou que não quer afastar investidores do País. "Só não queremos que haja exageros. Quero que continue o movimento do mercado de capitais. Sempre fui um grande estimulador do mercado de capitais", afirmou. O ministrou voltou a ressaltar que a medida tem como objetivo a retomada dos investimentos produtivos. "O que nós queremos é privilegiar mais a produção. Tem que haver um equilíbrio entre aplicações em Bolsa, mercado de capitais e produção. Queremos que o investimento na produção volte, e para que o investimento, principalmente na indústria, volte, é preciso que a indústria consiga exportar e ela não pode operar com o câmbio muito valorizado", concluiu.

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