Mantega diz que não vai sacrificar crescimento por causa de déficit em conta corrente

Para o ministro da Fazenda, saldo negativo no balanço de pagamentos com o exterior é passageiro

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

22 de setembro de 2010 | 13h15

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo não vai deixar que o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior se torne crônico, mas avisou que não vai sacrificar o crescimento da economia brasileira por causa dele. "Não é algo que a gente queira deixar. Não vamos deixar se tornar crônico. O déficit em conta corrente é passageiro, mas vale a pena pagar (o preço). É o preço do nosso sucesso e de um crescimento mais forte em comparação ao de outros países". O ministro insistiu que prefere que o País cresça mais e a economia se consolide.

Mantega disse, no entanto, que o governo tem de estar atento ao crescimento do déficit, ao comentar as projeções do Banco Central que estimam um déficit em conta corrente de US$ 60 bilhões em 2011. "Não digo que não é preocupante, mas não é nenhum problema sério. Não é um problema que ameace o crescimento. É perfeitamente administrável", disse Mantega, acrescentando que esse déficit previsto para 2011 não põe em risco a solidez do País. Ele lembrou que, há alguns anos, a economia brasileira tinha um déficit de 3,5%, 4% do PIB sem ter a mesma solidez que existe hoje.

O ministro avaliou, ainda, que o déficit em conta corrente do País é uma consequência do fraco crescimento da economia mundial. Segundo ele, há um descompasso entre a economia brasileira e a mundial, decorrente do que ele chamou de "sucesso" do País. "Nos recuperamos mais rápido da crise. Estamos crescendo mais. As importações estão crescendo mais e as exportações menos", ponderou Mantega.

Além disso, destacou o ministro, no cenário onde os outros países da Europa e os Estados Unidos estão crescendo menos, ocorre uma disputa comercial maior. A consequência é que o saldo da balança comercial será menor em 2010 e 2011. Soma-se a isso o fato de que as empresas estrangeiras estão remetendo para o exterior mais lucros e dividendos para coibir balanços mais fracos nas suas matrizes. Por isso, ele destacou que o maior peso no déficit em conta corrente se deve às remessas de lucros e dividendos. As empresas também aproveitam o real valorizado, que permite que elas recebam mais dólares pelo lucro obtido no País, para enviar dinheiro para suas matrizes.

O ministro previu que esse déficit será passageiro e disse acreditar que a partir de 2012, com a melhora das economias avançadas, as remessas serão menores. Para Mantega, passada a operação de capitalização da Petrobrás e outras captações externas de empresas brasileiras, haverá uma desvalorização do real frente ao dólar. Com isso, disse o ministro, as remessas de lucro e dividendos tendem a diminuir, pois serão menos convenientes para as empresas.

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