Mantega diz que queda do dólar mostra confiança no País

Ministro ressalta retomada da entrada de capitais no Brasil e diz que momento é ideal para aumentar reservas

Reuters e Agência Estado,

28 de maio de 2009 | 12h29

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou nesta quinta-feira, 28, sua avaliação de que o pior da crise global já passou. Para ele, a apreciação do real reflete não só o movimento mundial de queda do dólar mas também a confiança dos investidores no Brasil. Em audiência pública no Senado, Mantega ponderou que o câmbio valorizado tem também uma face negativa ao diminuir as vantagens do setor exportador.

 

Veja também:

especialEntenda a trajetória de valorização do real

especialAs medidas do Brasil contra a crise

especialAs medidas do emprego

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise   

 

O ministro também lembrou o desempenho recente da Bovespa e disse que o mercado financeiro "acredita que o Brasil reúne melhores condições para sair da crise". O principal índice da Bolsa paulista acumula alta de cerca de 40% no ano, enquanto o dólar chegou a ser cotado, na véspera, abaixo de R$ 2,00 pela primeira vez desde o início de outubro.

 

"A confiança no País nos ajuda a sair mais rapidamente da crise", disse, acrescentando que o crédito está melhorando, mas ainda não é suficiente, e que os spreads bancários são altos. "Este é um problema crônico... e durante a crise se agravou."

 

Entrada de capital

 

Mantega comentou ainda que o País está, neste momento, se refazendo e que o investimento externo está voltando à economia brasileira. "Houve saída de capitais nos meses passados por conta da crise e o balanço de pagamentos ficou negativo, porém já demos uma virada no mês de maio e já temos saldo financeiro positivo juntamente com saldo comercial positivo", afirmou.

 

Para o ministro, o País precisa aproveitar a entrada de dólares para reforçar suas reservas internacionais. De acordo com Mantega, já ficou provado que ter reservas é um bom negócio para o país, porque reduz a vulnerabilidade externa em momentos de crise. "O Brasil pode ter reservas mais elevadas que US$ 205 bilhões e temos que caminhar para isso", defendeu.

 

O ministro lembrou que, em 2006, a equipe econômica foi criticada pela estratégia de elevar as reservas internacionais e que muitos disseram que não precisava de um estoque acima de US$ 100 bilhões.

 

Juros

 

Mantega afirmou também que a taxa básica de juros no Brasil, a Selic (atualmente em 10,25% ao ano) ainda está alta. "Há uma situação de anomalia do ponto de vista dos juros, embora estejamos caminhando para uma normalidade." Segundo ele, a taxa elevada distingue o Brasil de outros países. "Não faz sentido. Estamos equilibrados em outros parâmetros econômicos, e acho que agora que a inflação está baixa nos próximos dois anos o Brasil deverá ter taxa básica semelhante a de países com as mesmas condições que as nossas", disse.

 

Mantega disse que ainda é preciso eliminar resquícios do período inflacionário como a indexação de preços porque, se não, "estaremos contaminando a inflação futura com o passado". O ministro lembrou que o governo anunciou recentemente mudanças na remuneração da caderneta de poupança a partir de 2010 para evitar que se crie um piso para a Selic. Mantega disse que o objetivo do governo é atingir os grandes poupadores que têm outras alternativas de investimentos.

 

Texto atualizado às 15h03

Tudo o que sabemos sobre:
crise financeiradólarGuido Mantega

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.