Mantega e Meirelles adiam ida aos EUA para reunião com Lula

Ministro da Fazenda e presidente do BC devem tratar da crise antes de irem à reunião do FMI e Banco Mundial

Adriana Fernandes, Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

09 de outubro de 2008 | 12h13

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, adiaram de quarta-feira para esta quinta à noite o embarque para Washington, onde participarão das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. A informação sobre o adiamento da viagem de ambos foi confirmada pelas assessorias de imprensa tanto da Fazenda quanto do BC.  Segundo a assessoria de Mantega, o ministro passará o período da manhã desta quinta em São Paulo, mantendo contatos com banqueiros e empresários e, à tarde, com previsão inicial para as 16 horas, embarca para Brasília, onde terá um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Veja também:CMN faz reunião extraordinária para regulamentar medidasFMI age para garantir crédito a emergentes Banco Central volta a vender dólares da reserva e cotação da moeda oscilaApós socorro aos bancos, Lula deve ampliar apoio à agriculturaConfira as medidas já anunciadas pelo BC contra a criseEntenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA  A cronologia da crise financeira Veja como a crise econômica já afetou o Brasil  Depois desse encontro com Lula, Mantega embarcará em um jato da Força Aérea Brasileira (FAB) para Washington e deverá ser acompanhado por Henrique Meirelles. A participação de Meirelles no encontro de Mantega com Lula ainda não foi confirmada oficialmente no Banco Central. Mas assessores do BC informaram que a agenda de Meirelles nesta quinta está dividida entre São Paulo e Brasília. Em São Paulo, Mantega tenta uma série de contatos com empresários e banqueiros brasileiros. Segundo assessores do Ministério da Fazenda, Mantega desde a última quarta na capital paulista, está "sentindo o pulso" junto aos executivos do quadro da economia brasileira diante dos impactos da crise internacional. Relatos dessas conversas serão transmitidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião marcada para o final da tarde. Ao longo desta manhã, o ministro intensificou essas conversas e tem acompanhado de perto o comportamento do mercado financeiro que mostra uma melhora, com queda do dólar e alta da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). O Tesouro Nacional também confirmou o leilão de títulos nesta quinta, com venda de papéis prefixados. Assessores do ministro também relataram que ele ficou muito satisfeito com o anúncio do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, de ativar "procedimento de emergência" de acesso rápido para países emergentes que começaram a enfrentar problemas nas linhas de crédito. "Essa foi uma bandeira liderada pelo ministro", comentou um assessor de Mantega, que contou que o representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista, tem reforçado nas últimas semanas no Fundo a necessidade de adoção dessas linhas emergenciais. Na segunda-feira passada, os secretários de Política Econômica, Nelson Barbosa, e do Tesouro Nacional, Arno Augustin, se reuniram, em Brasília, com um representante do FMI e insistiram na importância desse mecanismo nesse momento de crise internacional. Nos Estados Unidos, Mantega vai concentrar a sua agenda mais fortemente na reunião do G-20, que reúne as 20 maiores economias do mundo, convocada pelo próprio ministro na condição de atual presidente do grupo. "O G-20 tem condições ter uma ação mais ágil de coordenação nesse momento", disse o assessor do ministro. Na quarta, antes da decisão de uma liberação dos compulsórios, os dois se reuniram por cerca de uma hora e meia, em São Paulo.

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