Mantega e Tombini comemoram a melhora da nota

Ministro diz que elevação do rating da Moody's mostra ''elevada robustez'' do País em ambiente internacional de muitas dificuldades

Fabio Graner e Leonêncio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

Os principais integrantes da área econômica do governo comemoraram ontem a melhora na classificação de risco do Brasil, atribuindo o resultado à política econômica que vem sendo implementada nos últimos anos.

A avaliação deles foi de que o manejo das políticas fiscal, monetária e cambial e o crescimento vigoroso da economia foram determinantes para tornar o Brasil mais bem avaliado, com sua nota de risco subindo um degrau no grupo dos países grau de investimento (que têm menor risco de calote), de Baa3 para Baa2.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que recebeu a notícia da elevação do rating dado ao Brasil pela agência Moody"s quando fazia uma exposição sobre a economia brasileira para a presidente Dilma Rousseff, que, como era de esperar, ficou satisfeita com a avaliação.

De acordo com o ministro, a melhora no ranking de risco mostra que a economia do País está sendo considerada "de elevada robustez", em um ambiente internacional ainda com muitas dificuldades. Ele salientou que o governo fez um ajuste no início do ano, que desacelerou o crescimento, enquanto o mundo desenvolvido fez o caminho contrário, na tentativa de tirar suas economias da estagnação, que ainda reflete a crise de 2008/2009.

"Hoje a economia (brasileira) está crescendo numa velocidade de cruzeiro, de 4,5% ao ano", afirmou. "Os indicadores mostram uma acomodação da inflação perto de zero por cento. É muito bom, se comparado a outros países", complementou o ministro. Ele lembrou os problemas enfrentados pelo Japão (em decorrência do terremoto e tsunami no início do ano), pela Grécia (que tem elevado risco de não pagar sua dívida) e Estados Unidos. "Acreditamos que eles vão se recuperar, mas vão se arrastar por meses e até anos", disse.

Vigilância. Mantega afirmou que o governo manterá "vigilância" para evitar um aumento da inflação e tomará medidas, se for necessário. "A inflação agora está sob controle. O governo brasileiro estará fazendo uma política de combate à inflação adequada. Neste ano de 2011 a inflação ficará dentro do limite da meta. Se isso ocorrer, será o sexto ano consecutivo (de cumprimento da meta inflacionária)", disse o ministro, projetando o IPCA deste ano entre 6,15% e 6,20%.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a melhora da classificação de risco do Brasil é o reconhecimento da consistência da política econômica ao longo dos anos e da melhora dos fundamentos do País. "As boas notícias, contudo, não diminuem a determinação do Banco Central de seguir trabalhando para que os avanços obtidos até agora continuem a ocorrer, em ambiente econômico de estabilidade monetária e solidez financeira", afirmou Tombini em nota.

Segundo ele, as avaliações positivas que as agências de rating têm feito sobre o Brasil foram alcançadas por meio das políticas de metas de inflação, câmbio flutuante, acúmulo de reservas internacionais, responsabilidade fiscal e solidez no sistema financeiro: "A decisão reconhece também a capacidade e efetividade das atuais políticas econômicas, na manutenção de consolidação da estabilidade."

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