Mantega e Tombini negam divergência em derivativos

Com o objetivo de dissipar críticas sobre divergências na equipe econômica, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, saíram ontem em defesa das medidas de regulação do mercado de derivativos. Em entrevistas separadas, disseram que o governo não pretende alterar a medida provisória sobre derivativos e negaram diferenças.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h05

"Não há divergência entre o BC e a Fazenda", disse Tombini, após audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. "Estamos no mesmo barco em relação a este assunto."

A medida, anunciada em julho, taxa em 1% os investidores que elevarem as apostas de mercado na valorização do real e concede ao Conselho Monetário Nacional autoridade para regular o mercado, definindo valores de investimento, margens de lucro entre outros itens. "Esses mercados podem ter repercussões na macroeconomia. Nem reguladores nem mercado vão tomar medidas para reduzir a alavancagem. Acho importante o CMN ter capacidade para ajustar os parâmetros", disse Tombini.

O pacote foi criticado por economistas, que o consideram intervenção no mercado, e é apontado como um dos fatores para a valorização do dólar no País. Dificuldades operacionais da Bovespa adiaram duas vezes o início do recolhimento do imposto.

"As medidas prudenciais já foram tomadas. Por isso, não vamos mudar nada no IOF (sobre derivativos cambiais)", completou Mantega. Segundo o ministro, as distorções no câmbio, que ocorreram nas últimas semanas, já estariam corrigidas, sem necessidade de ações adicionais.

Êxito. Em depoimento a senadores ontem, Tombini afirmou que medidas tomadas desde o ano passado reduziram o risco de bancos a flutuações bruscas no câmbio. "Tivemos algum êxito importante." Como exemplo, citou a redução na posição vendida dos bancos, de US$ 17 bilhões no ano passado para algo entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões..

Ontem, técnicos do Ministério da Fazenda estiveram no Congresso para discutir modificações na Medida Provisória 539, que instituiu o IOF sobre derivativos. A ideia é criar um mecanismo que livre os exportadores que fazem operações de hedge (seguro) da nova tributação. A MP estava na pauta de votações, mas o governo quis analisar melhor as alterações, por isso a decisão foi adiada. / I.D., COM EDUARDO RODRIGUES, RENATA VERÍSSIMO E DENISE MADUEÑO

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