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Mantega elogia BB, apesar de juro médio ter subido

Dados do Banco Central mostram que a média dos juros cobrados pelo Banco do Brasil (BB) subiu nos últimos dias, período que coincide com o início da gestão de Aldemir Bendine à frente da instituição. O assunto foi tema de reunião hoje de toda a diretoria do banco com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ao deixar a reunião, Mantega não fez críticas ao BB. Ao contrário, elogiou o trabalho da nova diretoria da instituição, mas disse que é possível fazer mais.

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

19 de maio de 2009 | 20h12

No encontro, Bendine explicou ao ministro que a alta da taxa reflete o maior risco das operações feitas pelo BB, um perfil diferente dos tomadores de crédito e o alongamento dos prazos dos empréstimos. Bendine tomou posse no último dia 23 de abril na presidência do BB em substituição a Antonio Lima Neto. Na ocasião, fontes do Ministério da Fazenda disseram que a troca atendia ao objetivo do governo de forçar a queda dos juros no BB, o que não estava ocorrendo com a velocidade desejada na gestão de Lima Neto.

Segundo o levantamento do BC, a média dos juros cobrados pelo BB no financiamento da aquisição de bens, por exemplo, ficou em 2,46% ao mês entre os dias 29 de abril e 6 de maio. Antes da posse de Bendine, entre os dias 9 e 16 de abril, a taxa girava em torno de 2,16% ao mês. No crédito pessoal, a taxa também subiu, de 2,35% para 2,53% nesse período.

Bendine explicou ao ministro que o maior risco dos empréstimos praticados pelo banco pode se explicado pela conjuntura econômica, que gera maior incerteza nas operações bancárias. Houve, ainda, mudança do perfil dos clientes do BB, com a entrada de novos tomadores de empréstimos que têm nível de risco elevado se comparado à média observada anteriormente. Ao mesmo tempo, houve aumento dos prazos dos empréstimos, o que aumenta o risco da operação.

Juntos, segundo Bendine, esses três fatores fizeram com que a taxa ponderada pelo volume de operações feitas pela instituição aumentasse em relação ao observado no início de abril. Apesar de todos esses fatores estarem relacionados ao maior risco dos empréstimos, a diretoria do BB rechaça a avaliação de que a alta do juro ao consumidor seja resultado do esforço que a instituição tem feito para conceder mais crédito em tempos de crise.

Ao deixar a reunião, Mantega disse que estava satisfeito com Aldemir Bendine. A despeito dos números do BC, o ministro disse que o banco tem feito "bom trabalho ao reduzir os juros". A afirmação levou em conta, apenas, o comportamento das taxas mínimas e máximas praticadas pela instituição, que não subiram no período.

Mantega, no entanto, admitiu que é preciso acelerar esse trabalho. "O desempenho da nova equipe é muito bom, eles estão cumprindo os objetivos que estabelecemos. Eles estão aumentando o volume de crédito acima do que o setor privado está fazendo. Ainda não é tanto como gostaria. Eu gostaria que eles aumentassem mais ainda, e vão fazê-lo. E gostaria que eles baixassem ainda mais as taxas de juros", disse. Sem apresentar dados, Mantega também disse que os números da inadimplência têm caído no BB. "Isso mostra que a solidez do banco se mantém."

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