Mantega enfrenta cinco horas de pressão na Câmara e acena com medidas

Ministro ainda classificou como fofoca a informação da sua demissão

Laís Alegretti, Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

26 de junho de 2013 | 15h35

BRASÍLIA - Em meio a boatos de que vai deixar o cargo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teve que enfrentar nesta quarta-feira, 26, cinco horas de forte pressão e ataques agressivos de parlamentares da oposição na audiência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara e acenou com medidas de correção da economia e mais cortes de despesas de custeio.

As críticas maiores dos deputados foram para a alta da inflação, descontrole das contas públicas, baixo crescimento econômico e à atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento das empresas, principalmente do Grupo do empresário Eike Batista.

Mantega classificou de "fofoca" a informação da sua demissão, prometeu corte de custeio e reafirmou o compromisso com a responsabilidade fiscal, um dos cinco pactos lançados pela presidente Dilma Rousseff em resposta aos protestos das ruas. A certo ponto da audiência da audiência pública o ministro acenou com medidas de correção da economia. "Eu sou ministro há sete anos. Não estou começando agora. A gente toma as medidas necessárias para corrigir a economia", disse. "Esse comportamento vai continuar. Estaremos fazendo novos cortes de custeio", acrescentou.

Mantega também saiu em defesa do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que foi alvo de muitos ataques com a sua atuação à frente das negociações de liberação de crédito para os Estados colocada em suspeição. Deputados acusaram Augustin de atuar como articulador político da presidente Dilma Rousseff de olho nas próximas eleições.

Mantega defendeu com ênfase a ação de Augustin, classificando-a de "republicana". Segundo o ministro, as criticas ao secretário do Tesouro Nacional são injustas. "Ele é um excelente quadro", afirmou.

O ministro criticou o governo FHC e disse que, se tivesse adotado o receituário proposto para enfrentar a crise, a economia teria "naufragado". Sobre as manifestações nas ruas, Mantega saiu em defesa da equipe econômica afirmando que "ninguém nas ruas está perguntando por emprego ou reclamando de descontrole da economia".

Mesmo com os ataques mais fortes, o ministro não levantou o tom. Se mostrou aborrecido e impaciente em alguns momentos, mas rebateu com ênfase as críticas. O embate mais duro foi travado com o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que acusou o ministro de passar por um "surto psicótico". Nesse momento, Mantega o interrompeu e respondeu "não costumo ter surto psicótico". Foi o momento mais tenso.

No início da audiência, a base do governo deixou o ministro sob os ataques. Apenas o líder do PT, José Guimarães, defendia o ministro. Ao final, começaram a chegar parlamentares petistas, inclusive o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que chegou de ultima hora para defender o ministro dos ataques. O esquema da audiência, com várias perguntas dos parlamentares e depois a resposta do ministro, complicou o quadro para o ministro. Ao final, o ministro despistou a imprensa para não dar declarações.

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