Mantega estima que Brasil cresça 4,5% neste ano

Ministro da Fazenda afirmou ainda que entre os países desenvolvidos as dificuldades devem durar mais alguns anos 

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

25 de julho de 2011 | 14h47

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou nesta segunda-feira, 25, que a economia brasileira está registrando um crescimento sustentável, cuja expansão deve atingir 4,5% este ano. Para o ministro, o Brasil acompanha o ritmo de avanço de atividade dos mercados emergentes, que, segundo ele, continuarão a ser nos próximos anos, o principal motor que puxará a economia mundial. "Os países emergentes vão crescer mais que 4% em 2011", disse o ministro, durante almoço e debate com empresários, promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.

Mantega afirmou que a situação dos países centrais, especialmente os localizados na Europa, continuará apresentando dificuldade nos próximos anos, pois ainda não conseguiram se desvencilhar totalmente da forte recessão ocorrida em 2008. "Passou de uma crise financeira para uma crise soberana, que os governos precisam equacionar", disse Mantega.    

Investimentos

Mantega afirmou ainda que o Brasil deve manter a taxa de investimento maior do que o PIB e a demanda agregada, pois essa taxa deve crescer neste ao redor de 10%. O ministro ressaltou que o Brasil registra um crescimento sustentável em torno de 4,5%. Está é a projeção oficial de crescimento do Ministério da Fazenda.

Mantega ressaltou que o combate à inflação é a "prioridade número um do governo" e que não há contradição entre manter a inflação sob controle e proporcionar que a economia cresça ao redor de 4,5%. "A economia brasileira vai muito bem, a renda está aumentando, o crédito está crescendo menos. Vamos manter o crescimento do País em torno de 4% a 4,5%. Agora, para resolver esse problema (inflação) não precisa derrubar a economia. Não existe só uma medida de terra arrasada, de estourar uma bomba atômica. A inflação está sob controle, dentro dos limites estabelecidos pelo sistema de metas e deve fechar o ano baixo de 6,5%. Serão cinco anos consecutivos de inflação abaixo do teto", disse o ministro.

Superávit

O ministro da Fazenda também comentou o resultado do superávit primário do mês de junho, divulgado hoje pelo Tesouro Nacional. Ele afirmou que o acumulado de janeiro a junho deste ano de R$ 55,52 bilhões é bem maior do que os R$ 24,89 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. O ministro reafirmou que o avanço da arrecadação não será utilizado para aumentar as despesas que, segundo ele, estão crescendo em ritmo menor às receitas.

De acordo com Mantega, a arrecadação subiu 19,3% de janeiro a junho deste ano contra 10,8% de avanço das despesas. No primeiro semestre do ano passado, as receitas subiram 19,2% ante avanço de 18,2% dos gastos públicos. "Temos como princípio que as despesas cresçam menos do que o avanço registrado pela economia (PIB)", afirmou.

Em entrevista a jornalistas, após participar de almoço com empresários, Mantega destacou a boa evolução da arrecadação, mas foi muito enfático ao afirmar que o governo não vai relaxar no cumprimento da meta do superávit primário que, segundo ele, será de 3% do PIB. "Posso garantir que não vamos usar o aumento da arrecadação para elevar as despesas. Não vamos liberar novas despesas com aumento de arrecadação", afirmou, ressaltando que excesso de receitas eventualmente poderá ser direcionado para desoneração tributária da sociedade.

Mantega destacou que o rigor fiscal do governo é um dos principais elementos que está colaborando para reduzir o ritmo do IPCA. "Há um pouso suave da inflação. Todos os indicadores mostram que a inflação de junho é menor do que a de maio", ressaltou. Mantega, contudo, afirmou que como o combate a inflação é prioridade número um do governo o Banco Central continua com total liberdade para agir para cumprir as metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "Se o Copom vai continuar elevando ou não os juros isso precisa ser perguntado ao Banco Central", concluiu.

Mantega afirmou ainda que o "combate a inflação é uma questão de honra para o governo. O Brasil seguirá empenhado no controle da inflação e vai continuar a tomar todas as medidas necessárias para que isso ocorra". O ministro afirmou que o IPCA de julho deve ter um número parecido com o do IPCA-15, que subiu 0,10% neste mês.

Desaceleração

O ministro da Fazenda afirmou hoje também que o País está em desaceleração e que o segundo trimestre deve ter registrado uma velocidade de expansão ao redor de 4,5%, em termos anualizados. No primeiro trimestre, o PIB cresceu 1,3% na margem, o que indica um ritmo anualizado de 5,30%. No entanto, o ministro ressaltou que o ritmo de incremento da economia no segundo trimestre é positivo, pois permite uma expansão sustentável, com a inflação sob controle.

"A economia vai muito bem, todos os setores estão satisfeitos, a renda está em expansão. E não há superaquecimento da economia, com PIB de 4,5%. Nós estamos com pleno emprego em alguns setores produtivos", afirmou. "Os países avançados devem estar com inveja da trajetória do Brasil", disse.

O ministro foi categórico ao dizer que não há bolha de crédito no País. Segundo ele, o setor está em expansão, mas com um ritmo ao redor de 15% ao ano, inferior ao registrado em 2010. Além disso, ele destacou que o sistema financeiro no Brasil é muito sólido e cauteloso, inclusive nas operações de concessão de crédito para empresas e famílias, pois ressaltou que o Índice de Basileia está ao redor de 17% do capital dos bancos.

O ministro afirmou ainda que, em alguns setores, ocorreu aumento pontual da inadimplência, mas isso foi marginal e compreensível, dado que os juros para operações de crédito ao consumidor subiram nos últimos meses em função de várias medidas adotadas pelo governo para desacelerar o ritmo de atividade, como ações macroprudenciais e a elevação da Selic pelo Banco Central, que está subindo desde janeiro.

O ministro da Fazenda aproveitou para dar um recado aos investidores que acreditam que a apreciação cambial continuará firme no curto prazo. "Nós poderemos tomar novas medidas para impedir essa valorização cambial. Não podemos antecipá-las, mas podem esperar. Sempre que a gente fala, acaba em medidas, portanto, os especuladores que se acautelem."

O ministro destacou ainda que o câmbio não está sendo utilizado pelo governo como um dos principais instrumentos para combater a inflação. Isso está sendo feito, sobretudo, pela política fiscal e pela política monetária do Banco Central.

Segundo ele, o câmbio é uma questão que preocupa e causa apreensão por dois motivos. De um lado, o câmbio expressa problemas da economia mundial, pois muitos países têm dificuldades financeiras, o que acaba repercutindo na desvalorização de suas moedas. "Por outro lado, há manipulação cambial, a guerra cambial de países que procuram reduzir o valor de suas moedas para poder exportar mais e ter maior competitividade", afirmou.

O ministro destacou que alguns países estão tão necessitados em exportar, para gerar arrecadação e emprego, que estão fazendo operações triangulares com "sinais de fraude" para vender os seus produtos para o Brasil. "Vamos combater a concorrência desleal", ressaltou o ministro, dizendo inclusive que a Receita Federal organizou um novo departamento de inteligência para atuar com foco nesses casos. (Ricardo Leopoldo)

(Texto atualizado às 16h51)

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