Mantega explica declarações e reforça controle da inflação

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, esclareceu nesta quarta-feira, 14, que o que ele quis dizer na terça, em audiência no Senado, é que o Banco Central deve perseguir o centro da meta. "Aliás, estou chovendo no molhado porque isso é o que dispõe a legislação sobre este aspecto", disse.Na ocasião, o ministro afirmou que "O Banco Central poderá entregar, no final de 2007, algo como 4,5% ou 5% de inflação. O centro da meta é 4,5%, e não menos. O governo não tem pauta conservadora".De acordo com Mantega, a razão para o BC perseguir o centro da meta é que ele foi pensado pelo governo e o CMN como uma taxa que permite conciliar uma inflação sob controle e um crescimento maior da economia. Ele ressaltou, entretanto, que a inflação efetiva pode ficar abaixo do centro da meta. "Se nós conseguirmos, praticando uma política monetária mais flexível, alcançar uma inflação menor que o centro da meta melhor ainda", disse. O ministro ainda enfatizou em sua entrevista que não é a favor do aumento da inflação. "Muito pelo contrário, eu acho que uma grande conquista da sociedade brasileira foi ter conseguido uma inflação baixa. E essa conquista tem que ser mantida", afirmou.Ele acrescentou que o ideal seria que o Brasil conseguisse conciliar a inflação suíça (hoje de 1%) com o crescimento a taxas chinesa. Mantega admitiu, entretanto, que isso é algo difícil de se fazer. "Ter um crescimento maior com uma inflação menor é o desejável, é o melhor dos mundos", afirmou.Ele destacou, ao mesmo tempo, que o Brasil não pode perseguir uma inflação menor, que venha sacrificar o crescimento econômico. Mantega também reafirmou que não acha que o BC trabalha com uma meta implícita de inflação menor do que 4,5%, que equivale ao centro da meta de inflação. O ministro reconheceu, no entanto, que é difícil acertar exatamente o centro da meta de inflação. "Acertar na mosca, não vai. Assim como a gente não acerta na mosca o crescimento econômico." O importante, na opinião de Mantega, é o BC adotar as políticas adequadas para perseguir o centro da meta. Para ele, o BC já está fazendo isso. Mantega afirmou que a meta de inflação de 2009 deverá ser de 4,5%. A meta de inflação de 2009 será fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em sua reunião de junho. O ministro também adiantou que a meta de 2008 não será revista e permanecerá em 4,5%. Para Mantega, a inflação neste patamar é a taxa de equilíbrio para o Brasil. Moeda estávelO ministro disse também que, nos últimos seis meses, a moeda brasileira é uma das mais estáveis do mundo. "Nós temos mantido uma certa estabilidade do câmbio brasileiro e isto é o desejável", disse Mantega. Ele, ao mesmo tempo, reconheceu que a taxa de câmbio no Brasil se valorizou nos últimos dias e que a tendência é que ela permaneça valorizada em favor das novas condições do quadro econômico mundial.

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