Mantega fala em 'crise séria' e lista vantagens do Brasil

'Ninguém escapa dessa crise, que é mundial, mas ela não atinge igualmente todo mundo', ressalta ministro

Agência Estado e Reuters,

21 Outubro 2008 | 18h00

O ministro da Fazenda reconheceu que a crise financeira global é grave e restringe fortemente o crédito para o comércio exterior do Brasil e a liquidez de suas empresas. Guido Mantega ressaltou, porém, que o país está mais forte que em outras crises. "Estamos diante de uma crise sistêmica, que abrange todos os mercados e todos os países. Ninguém escapa dessa crise, que é mundial, mas ela não atinge igualmente todo mundo", disse Mantega em exposição na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 21.   Veja também: Meirelles apresenta origens da crise internacional na Câmara  Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise     Mantega afirmou a crise financeira internacional já era séria desde meados de 2007, mas se tornou mais grave no dia 14 de setembro de 2008, quando se constatou que o banco Lehman Brothers não teria apoio do governo dos Estados Unidos para evitar o pedido de concordata. "Passamos de uma crise séria, para uma crise muito mais séria, para uma crise grave. O crédito secou completamente e se tornou difícil para as empresas renegociarem os títulos vincendos", afirmou.   O ministro lembrou que, a partir da quebra do Lehman Brothers, houve um desencadeamento de eventos afetando vários bancos nos EUA e na Europa, o que fez com que os governos começassem a atuar. "Ocorreu, então, algo inédito na história do capitalismo: chegamos à estatização de bancos, o que no capitalismo é difícil de engolir", afirmou. Mantega disse que, no Brasil, além da retração ao crédito, preocupou o governo a queda dos preços das commodities e a valorização do dólar.   Para Mantega, a crise atinge menos as economias emergentes dinâmicas. Ou seja, o país que cresce muito e gera riquezas é mais forte que o país que cresce menos e gera menos riquezas. Além disso, Mantega enfatizou outras vantagens que o Brasil tem nesse momento de crise, entre elas o fato de o País ter um compulsório bastante alto, o que permite ao governo liberar recursos neste momento de escassez.   Ele também destacou que a menor abertura da economia brasileira, que antes se mostrava uma desvantagem, é hoje uma vantagem porque o Brasil é menos dependente das suas exportações, e destacou como exemplo, a China. Segundo Mantega, o Brasil vai sofrer menos impacto do que a China, isso porque as exportações brasileiras representam 13% do PIB, enquanto na China está entre 33% e 34% do PIB.   Outra vantagem comparativa destacada por Mantega é a diversificação do mercado exportador. Antes a pauta brasileira de exportação era 25% para os EUA e 25% para a União Européia, hoje este porcentual para os dois grupos caiu para 15% cada e, por outro lado, o Brasil está exportando mais para outros mercados, entre eles países emergentes, e dependendo menos das exportações para os países onde está o epicentro da crise.   'Crise vai se prolongar'   Ele afirmou não acreditar que a crise esteja em vias de acabar. "Acho que ela ainda vai se prolongar e ainda vai nos dar muita dor de cabeça", declarou. Para o ministro, a fase mais aguda já passou e, por isso, a crise deve se acomodar. Mantega observou que, de qualquer forma, cessando ou não essa fase aguda, o sistema financeiro continuará sofrendo uma desalavancagem, o que provoca uma falta de liquidez de crédito e o aumento das taxas de juros.   Mantega afirmou que esses fatores resultarão na redução do crescimento da economia mundial. Ele lembrou que a economia brasileira em 2007 teve um crescimento de 5,4% e que começou 2008 acelerada. Portanto, segundo Mantega, a crise ainda não tinha afetado a economia brasileira. Porém, na fase atual, o ministro avalia que os impactos serão maiores. Ele lembrou que as linhas de Adiantamento de Contrato Cambial (ACC) praticamente secaram e que houve uma restrição de liquidez em real para as empresas brasileiras que não conseguem renegociar suas linhas de crédito com os bancos.   Na contramão, porém, Mantega afirmou que a inflação brasileira vai desacelerar ao longo de 2009 "caminhando próximo para o centro da meta". Segundo o ministro, o consumo interno continua robusto, citando os dados do segundo trimestre que mostram uma expansão de consumo de 6,7%. "Gostaríamos até de desacelerar um pouco este consumo para que não haja inflação", disse.   Ele disse que mesmo com uma desaceleração o consumo se manterá num patamar suficiente para garantir taxa de crescimento satisfatória. Ele também destacou o desempenho fiscal das contas públicas que vem apresentando o melhor resultado da série histórica. Mantega ressaltou ainda que as empresas brasileiras e os bancos têm tido rentabilidade maior do que em outros países.   O ministro fez questão de ressaltar ainda que o governo não deixou a "peteca cair" neste momento de crise internacional e não deixou o problema se instalar. Ele ponderou que com a crise vai haver uma desaceleração do crescimento mas em um patamar modesto, suficiente para garantir a continuidade do ciclo de desenvolvimento sustentado.

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