Mantega fala sobre juros e taxas futuras de curto prazo cedem

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h10

Declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Londres, ontem, direcionaram os negócios com juros e dólar no mercado local. No caso das taxas futuras, os vencimentos curtos recuaram durante praticamente todo o dia, influenciados pela afirmação do ministro a investidores de que ainda há espaço para redução da Selic no Brasil. No fim da tarde, porém, a assessoria da Fazenda esclareceu que, ao dizer que ainda havia espaço para redução dos juros, Mantega se referia às taxas de mercado. Esse último fato gerou pequenas mudanças nos vencimentos curtos de DI, mas não foi suficiente para apagar o viés de baixa durante a sessão estendida dos negócios. Isso porque, ao que parece, o mercado não comprou totalmente a retificação, chegando a classificá-la como "remendo" após a repercussão negativa em relação às palavras do ministro.

Economistas disseram que Mantega acabou colocando a autonomia do BC em xeque, ainda mais depois de a autoridade monetária, aparentemente, ter adotado um discurso mais conservador em relação à condução da taxa de juros. Agora, as expectativas se voltam para o Relatório Trimestral de Inflação que sai na próxima quinta-feira. Qualquer tom mais ameno vindo do BC poderá ser entendido como uma confirmação dos cenários traçados pela Fazenda, inclusive em relação à necessidade ou não de elevar a Selic em 2013.

O juro projetado para janeiro de 2013 ficou na máxima de 7,29%, de 7,30% no ajuste anterior e mínima de 7,27% durante a sessão. A taxa para janeiro de 2014 marcou 7,79%, ante 7,80% na véspera. Entre os prazos mais longos, o juro para janeiro de 2017 indicou 9,22%, de 9,20% no ajuste.

Mantega também mexeu com o câmbio ao reafirmar, no mesmo evento, que o governo usará todas as armas para manter o patamar atual do dólar em relação ao real e apresentou uma nova possibilidade: elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para brecar a entrada de capitais especulativos. Assim, o dólar no mercado à vista de balcão voltou a subir, ainda que discretamente, para R$ 2,0240 (+0,05%), mesmo sem qualquer intervenção do BC pela quarta sessão consecutiva. Na semana, o dólar subiu 0,55% no balcão.

Enquanto isso, a Bovespa engatou uma realização de lucros. A queda de 0,60% do Ibovespa, aos 61.320,07 pontos, sacramentou a primeira semana de perdas para o mercado acionário local neste mês, acumulada em 1,26%. Em setembro, o índice da Bolsa acumula valorização de 7,46%.

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