Mantega: FMI deve ser mais ágil para ajudar contra crise

A turbulência financeira nos paísesricos ainda não contaminou os mais pobres, mas o FundoMonetário Internacional deveria estar melhor preparado paraajudá-los caso isso ocorra, o que também agradaria os queperderam com a reforma no sistema de cotas do FMI, disse nestesábado o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Num comunicado divulgado durante os encontros de primaverado FMI, no qual fala em nome de Brasil, Colômbia, RepúblicaDominicana, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, Suriname e TrinidadTobago, Mantega voltou a defender a criação de uma linha deempréstimo rápido para emergências. "Até agora, o problema ainda não se espalhou para essespaíses. Mas a possibilidade não pode ser descartada", avaliou oministro no documento. "Numa crise sistêmica, países em desenvolvimento podem terde lançar mão dos empréstimos do Fundo para fazer face, namaioria dos casos apenas parcialmente, ao problema da liquidez,o que implica ajustamento econômico e condicionalidades." Uma proposta assim também poderia compensar aqueles paísesque perderam poder com a recente reformulação nas cotas e nopoder de voto do Fundo. A reforma do FMI deve ir a votação nopróximo dia 28 e depende da aprovação de 85 por cento dos 185países que o compõem. Brasil e México ganharam mais poder com a reforma, mas osdemais países da América Latina não. Outros, como Venezuela e Argentina, perderamrepresentatividade e a medida ajudaria a compensar osinsatisfeitos. "Isso representaria uma proposta concreta da instituição àcrise atual. Seria uma compensação para os países que nãotiveram aumento de cotas nessa rodada ou que tiveram aumentosmuito modestos", acrescentou Mantega no comunicado. Fontes do Ministério da Fazenda acrescentaram que odiretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, pediu aMantega para interceder junto aos argentinos e aos russos, queestão se opondo a votar a favor das mudanças. MAIS AGILIDADE Mantega disse que o FMI deveria criar fundos ágeissemelhantes aos utilizados pelos bancos centrais de paísesricos ao lidar com a turbulência atual. "Seria preciso examinar a possibilidade de aparelhar estainstituição com mecanismos de empréstimos de curto oucurtíssimo prazo, a serem fornecidos rapidamente apaíses-membros que estivessem se defrontando com problemas deliquidez", afirmou. Atualmente, um país só pode tomar emprestado do Fundo olimite de três vezes sua cota de contribuição ao organismo, oque limita a capacidade de ajuda aos países mais pobres emmomentos de crises, indicou. Outra proposta seria a criação de um novo, e controverso,instrumento de prevenção de crises, como a chamada Linha deAcesso Rápido (RAL, na sigla em inglês), que os países poderiamacessar ao enfrentar problemas. A proposta é polêmica e tem avançado lentamente porque trazconsigo o perigo de chamar a atenção do mercado internacionalpara países que estão enfrentando problemas, o que poderiacriar uma crise de confiança e piorar a situação. De forma geral, Mantega disse que a reforma do fundo não éideal, mas é um passo importante para uma modernização do FMIque reflita o crescente peso dos países emergentes no mundo. (Edição de Daniela Machado)

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