Mantega garante agilidade na liberação dos recursos do BNDES

O novo presidente do BNDES, Guido Mantega, afirmou que fará uma gestão com menos polêmica e mais agilidade na liberação de recursos, justamente as duas características mais criticadas no seu antecessor, Carlos Lessa. Mas, diplomático, elogiou o trabalho de Lessa. "Ele tinha uma missão a cumprir, que era recolocar o BNDES no trilho de um banco de desenvolvimento, de modo que pudéssemos privilegiar as políticas de governo, a política tecnológica. E ele cumpriu bem essa missão", salientou o ex-ministro do Planejamento, ontem à noite, durante entrevista ao Jornal das Dez, da "Globo News". "Eu tenho a incumbência de dar continuidade a essa mesma política, agilizando a liberação de créditos." Mantega garantiu que não haverá mudanças na orientação do banco no que diz respeito ao crédito dirigido, pelo menos enquanto não houver crédito abundante fornecido pelo setor privado a taxas compatíveis. "O presidente (Lula) é quem dá a linha da política econômica. E a orientação foi a de continuar com o BNDES como um banco de desenvolvimento, financiando os investimentos que são necessários ao País", disse. "Não vai haver nenhuma redução do crédito dirigido. Muito pelo contrário, o orçamento, que neste ano é de R$ 47 bilhões, vai para R$ 60 bilhões, o que significa um aumento do crédito dirigido." Numa referência às críticas feitas por Carlos Lessa à condução da política monetária do Banco Central, Mantega acabou desaprovando de forma explícita a atitude do seu antecessor. "Eu acho natural que o BNDES não fique falando dos outros organismos do governo. Pelo contrário, nós temos que fazer um trabalho em conjunto", alfinetou o ex-ministro do Planejamento. "Não é função do presidente do BNDES ficar criticando - ou até mesmo elogiando - a política monetária." O novo presidente do BNDES defendeu a política do banco de financiar projetos em outros países e de não diferenciar empresas estrangeiras. "Uma das prioridades do presidente Lula é fazer a integração da América Latina. Então, o BNDES vai, sim, financiar projetos de integração e de unificação desses países", disse Mantega, referindo-se à continuidade da política do banco de tornar-se uma espécie de banco de fomento regional. "É um projeto importante e nós ganharemos, assim como ganharam os países da União Européia", afirmou o ex-ministro. "Além disso, essa questão de diferenciar multinacionais ou não, não existe. Quando uma empresa vem para o Brasil ela se torna brasileira." Mantega perdeu o status de ministro, mas acha que ficará em situação melhor na presidência do banco, que vai administrar um orçamento de mais de R$ 60 bilhões no próximo ano: "O BNDES é o maior banco de desenvolvimento da América Latina", resumiu, procurando enaltecer a importância do banco para o País. "É da maior importância (o BNDES) para o projeto do presidente Lula, que é retomar o desenvolvimento sustentado do País", reforçou. "É uma honra para mim ocupar esse cargo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.