Mantega garante: ''Não tem banco quebrando''

Segundo ele, o sistema financeiro brasileiro é mais sólido que o de outros países, pois é ?mais capitalizado e tem maior rentabilidade?

Ribamar Oliveira, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2008 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi obrigado a garantir ontem que não existe crise bancária no Brasil, durante a entrevista coletiva convocada para explicar a Medida Provisória (MP) 443, que permite ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal comprar outras instituições financeiras. "Não, não tem banco quebrando", afirmou, diante das perguntas insistentes dos jornalistas."O sistema financeiro brasileiro é sólido, mais sólido que outros sistemas porque é menos alavancado, é mais prudente, é mais capitalizado, tem maior rentabilidade. Porém, isso não isenta o sistema de ficar com problema de liquidez. Se não tivesse problema de liquidez, o Banco Central não estaria devolvendo o compulsório (depósitos que os bancos são obrigados a manter no BC), não estaria havendo compra de carteiras. Há alguns problemas de liquidez localizados e nós estamos dando conta disso, dando a liquidez, irrigando o sistema de modo a que não haja problemas", disse.A dúvida surgiu porque no dia anterior, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Mantega tinha garantido que não existe problema de solvência no sistema bancário brasileiro, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa, onde grandes bancos quebraram. O problema brasileiro, segundo o ministro, é de liquidez, pois o crédito interno foi reduzido em virtude da crise.Como a MP autoriza até mesmo a estatização de bancos em dificuldade, os jornalistas quiseram saber de Mantega se a situação tinha mudado e agora o País enfrentava problemas de solvência. O ministro procurou tranqüilizar a todos, argumentando que a possibilidade de bancos públicos adquirirem bancos privados deve proporcionar um certo "conforto" ao mercado."Basta ter o conforto. Você sabe que tem como alternativa disponível. Justamente por ter essa alternativa, todo mundo fica mais tranqüilo e não vê necessidade de realizar a venda. Se ocorrer, será feita em condições de mercado."O ministro disse que o governo não está autorizando o BB e a Caixa a comprar ativos podres. "Não existem ativos podres no Brasil", garantiu. "Até agora não demos nenhum subsídio, nenhum socorro específico para nenhum setor da economia. Tudo está sendo feito com transparência, dentro das regras de mercado."Durante a entrevista, Mantega foi informado que as ações do Banco do Brasil na Bolsa de Valores de São Paulo estavam em queda por causa da MP e da intervenção do governo na maneira de atuação do banco. Ele disse que esse tipo de crítica (intervenção do governo no BB) é "recorrente e improcedente", pois, para ele, basta ver o desempenho, a lucratividade e a eficiência do banco. "Tem um desempenho impecável e é tão bom quanto qualquer outra instituição privada."A decisão do governo de criar uma subsidiária da Caixa Econômica Federal para comprar ações de empresas da construção civil foi apresentada, pelo ministro da Fazenda, como uma maneira de capitalizar essas companhias, neste momento de escassez de crédito, para que dêem continuidade aos seus projetos habitacionais e o governo possa garantir o nível da atividade econômica. Mantega lembrou que o setor imobiliário tem sido um dos pólos dinâmicos da economia brasileira.Mantega errou ao anunciar que o BB e a Caixa também estavam autorizados a adquirir fundos de pensão. Na realidade, poderão comprar entidades abertas de previdência complementar, que existem no âmbito das instituições financeiras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.