Mantega garante: oferta cresce mais que a demanda

Ministro da Fazenda contraria avaliação do Banco Central e atribui alta dos preços ao cenário externo

Ribamar Oliveira, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2008 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou ontem um diagnóstico da economia brasileira inteiramente diferente daquele feito pelo Banco Central (BC) em seus últimos comunicados. Mantega disse que a oferta e a demanda estão equilibradas no Brasil, o que significa que não se pode atribuir o recente aumento da inflação a um excesso da demanda interna, como argumenta o BC. Para o ministro, "a oferta está crescendo na frente da demanda".Durante a divulgação do quarto balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em solenidade realizada ontem no Palácio do Planalto, Mantega apresentou dados para justificar o seu diagnóstico. De acordo com ele, os investimentos vêm crescendo a uma taxa de 16% (dado do quarto trimestre de 2007, ante igual período do ano anterior), enquanto o consumo das famílias avançou ao ritmo de 8,6%. "A demanda está correndo atrás do investimento", disse.Segundo ele, os investimentos que vêm sendo realizados ampliaram a capacidade instalada da indústria. Por isso, explicou, a indústria pode elevar sua produção mantendo estável o nível de utilização da capacidade instalada em torno de 83%. Com a forte expansão dos investimento, o ministro afirmou que o Brasil terá "um grande aumento da oferta" nos próximos meses.Mantega destacou também que o rápido aumento da renda real não elevou o custo unitário do trabalho na indústria, uma vez que a produtividade tem crescido em ritmo mais intenso do que os salários. "O que significa que o aumento dos salários não é inflacionário", afirmou.O texto do quarto balanço do PAC, divulgado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, dá razão à análise de Mantega e argumenta que a inflação é inteiramente importada. Segundo o texto, "a aceleração (da inflação) percebida no período recente concentra-se nos segmentos de produtos alimentares". O texto não responsabiliza o excesso da demanda interna pelo aumento da inflação, mas admite que a elevada demanda externa é culpada.Segundo o documento, "a inflação decorre de uma seqüência de choques adversos em escala mundial". E acrescenta: "É fruto também de um aumento nos preços internacionais devido à demanda mundial aquecida. Além disso, a elevação dos preços do petróleo e de seus derivados vem pressionando a inflação brasileira."EXEMPLO EXTERNONa sua exposição, o ministro da Fazenda disse que houve um aumento de dois pontos porcentuais na inflação mundial que, nos últimos 12 meses, passou de 3,5% para 5,5%. Por causa disso, explicou o ministro, há uma série de países que se estão desviando da meta de inflação, entre os quais o Chile. "O Brasil está 1,5% abaixo da meta", afirmou, ao considerar no seu cálculo o limite superior da meta da inflação, que é de 6,5%. O centro da meta brasileira é 4,5%, com um intervalo de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. "O governo manterá a inflação na meta", garantiu o ministro.

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