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Mantega garante que superávit primário será cumprido

Durante palestra concedida para economistas na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu aos presentes que o governo cumprirá a meta de superávit primário estipulada para 2006, de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Superávit primário é o resultado da arrecadação do governo, menos as despesas, exceto o pagamento de juros. Em tom de brincadeira, Mantega ainda propôs ao ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira uma aposta, cujo pagamento seria "uma caixa de vinhos estrangeiros", caso o governo não cumpra a meta estabelecida para este ano.Mantega ressaltou, no entanto, que o porcentual do superávit abaixo da meta observada este ano é normal e deriva do ano eleitoral, que impõe restrições na liberação de verbas a partir do início da campanha. "É claro que, em ano eleitoral, o comportamento orçamentário é diferente do de outros anos", afirmou.O ministro ainda apresentou dados, durante sua exposição, que demonstram a formação de um superávit de 4,51% do PIB nos últimos 12 meses encerrados em junho. "Garanto que o governo fará tudo que for necessário para que esta meta seja cumprida."Área fiscalNa apresentação, Mantega aproveitou para ressaltar os feitos do governo na área fiscal. Dentre eles, o esforço de gestão na Previdência Social, que, para ele, já mostra resultados. "O déficit (da Previdência) esperado para este ano é de R$ 41 bilhões, quando, no início do ano, o esperado era R$ 50 bilhões."Também foi destacada pelo ministro a ação do Tesouro Nacional, no sentido de ampliar a participação dos títulos prefixados na composição da dívida, que tem levado a uma menor exposição dos investidores aos papéis indexados à taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 14,75% ao ano). "O importante é a qualidade da dívida e já temos reduzido bem a parcela de títulos ´selicados´", comentou.Medidas adicionais Mantega descartou ainda a edição de medidas adicionais para a área cambial. Segundo ele, o conjunto de ações voltadas para o exportador, anunciado na semana passada, já é suficiente e deve levar, na opinião dele, a uma atenuação da valorização da taxa de câmbio. "O Brasil tem o câmbio flutuante, que é o melhor regime cambial, mas há alguma interferência do governo nesse câmbio", disse, para demonstrar que o pacote de medidas para o setor exportador não é a única forma de ação do governo na taxa de câmbio.De acordo com Mantega, as compras de dólares promovidas pelo BC e as emissões de títulos pelo Tesouro Nacional têm tido um papel determinante para impedir uma maior valorização do real. "Então, não é verdade que não há uma preocupação e uma atuação do governo na área cambial", afirmou, destacando que, desde o início da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, as operações do BC e do Tesouro no mercado cambial, com vistas numa valorização do dólar, já somam US$ 150 bilhões. Conformidade Para o ministro, o mercado e os empresários brasileiros terão que se conformar com um real mais valorizado, dado que, na visão dele, daqui para frente, a tendência é de fortalecimento da economia local, com conseqüente efeito sobre a valorização da moeda do Brasil. Mantega, entretanto, admitiu que a taxa de câmbio observada neste momento não é a ideal.

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