Mantega: governo estuda criação de fundo de reservas

O Ministério da Fazenda e o Banco Central estudam a criação de um fundo soberano com o objetivo de aproveitar o grande volume de reservas internacionais - que anteontem estavam em US$ 162,426 bilhões, segundo informou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à Agência Estado. ?Deveremos anunciar esse fundo dentro de 30 dias?, adiantou o ministro.Mais tarde, durante almoço no Grupo Estado, o ministro acrescentou que, em sua avaliação, o Brasil precisaria acumular aproximadamente US$ 180 bilhões em reservas para a obtenção do grau de investimento e o que excedesse este patamar poderia ser direcionado ao fundo. ?Não chegamos ao limite (das reservas). Elas continuarão crescendo nos próximos anos?, afirmou. ?É uma necessidade, uma imposição, uma boa utilização dessas reservas?, acrescentou.Mantega explicou que certos princípios serão observados para a implantação desse fundo, que terá de manter liquidez e segurança. ?Não podemos sair por aí comprando títulos de segunda linha, mas vamos continuar comprando títulos de primeira linha totalmente seguros e que farão com que as reservas continuem sendo um fiador da baixa vulnerabilidade de que hoje o Brasil goza?, ressaltou.Aplicações financeirasO ministro disse ainda que não há um desenho definitivo deste fundo que está sendo estudado em conjunto com o BC, mas descartou a possibilidade de ele ser nos mesmos moldes do existente hoje na China. ?A diferença deste fundo com o da China é que aquele país compra empresas e faz investimentos?, disse, acrescentando que o brasileiro deverá utilizar uma pequena parcela em diversificação de aplicações financeiras.O ministro descartou a possibilidade de haver investimentos em ações, mas acrescentou que compras de debêntures são viáveis. ?Devemos continuar com aplicações financeiras, que indiretamente poderão alavancar investimentos produtivos?, disse. Ele enfatizou que os recursos não serão aplicados em infra-estrutura, mas exemplificou como poderá ser uma forma de diversificação, citando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ?Pode-se comprar um título do BNDES e o BNDES poderá utilizar recursos para estimular investimentos fora do Brasil?, exemplificou.Apesar de o fundo continuar concentrado em ativos financeiros, Mantega destacou que não há necessidade de os investimentos serem restritos aos títulos do Tesouro americano). ?Aliás, perdemos com toda essa desvalorização do dólar?, salientou.Crescimento das reservasDesta forma, o fundo não deve causar despesa primária. Estas aplicações serão restritas a uma parte pequena do fundo, cuja parcela ainda não foi definida. ?Mas precisamos garantir o investment grade (grau de investimento), então teremos de continuar com o crescimento do volume de reservas?, destacou. Antes de ser anunciado, o projeto passará pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

CÉLIA FROUFE, MARISA CASTELLANI E LUCIANA XAVIER, Agencia Estado

17 de outubro de 2007 | 16h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.