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Mantega indica que a Selic pode atingir 7,25%

As mudanças na cobrança do Imposto de Renda sobre a caderneta de poupança e sobre as aplicações financeiras de renda fixa abrem espaço para uma redução da taxa básica de juros, a Selic, para até 7,25% a médio e longo prazos, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Essa mudança abre espaço para reduções substanciais nas taxas de juros no Brasil", confirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ressaltando, porém, que não estava antecipando nenhuma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável pela fixação da taxa básica. Nenhum dos dois fixou prazo para que a Selic chegue a esse nível. A queda na rentabilidade dos investimentos remunerados com base na Selic, tornando a poupança mais atraente, foi apontada pelo Copom na ata de sua última reunião como um dos empecilhos para uma trajetória mais rápida da queda dos juros. Mantega e Meirelles rechaçaram a avaliação de analistas de mercado de que as medidas são paliativas porque não eliminam um piso de juros no Brasil, de taxa referencial (TR) mais 0,5% ao mês, que é a remuneração da caderneta de poupança. Segundo eles, no horizonte atual é muito difícil atingir uma Selic inferior a 7,25%. "Abaixo de 7,25%, não sei se haverá. Se você pensar numa inflação de 4,5%, estamos falando de uma taxa real de juros de 2% a 2,5%, que é o risco Brasil. É uma taxa bastante baixa. Eu até gostaria que a Selic chegasse a 3% ou 2%, mas sejamos realistas", disse Mantega. Segundo ele, se um dia os juros caírem para esse nível será um excelente problema a ser resolvido. Meirelles argumentou que, com a meta de inflação em 4,5% nos próximos anos, é pequena a probabilidade de o Brasil ter taxas de juros tão baixas que possam provocar novos problemas em relação ao rendimento da poupança. "No futuro, se houver redução da meta de inflação, é outra história." O presidente do BC disse que o governo cogitou mudar o cálculo da TR, mas decidiu que não era o momento para a alteração. Em entrevista para explicar detalhes técnicos da proposta, o secretário extraordinário para reformas econômico-fiscais, Bernard Appy, disse que as novas regras da poupança permitem uma Selic abaixo de 7%. Mas, ao ser confrontado com o número apresentado por Mantega, respondeu: "Está tudo perto. 7,25% com certeza dá". O modelo divulgado ontem mostra que as aplicações financeiras ainda serão competitivas, em relação a poupança, até uma taxa Selic de 7,25%. Abaixo desse nível, 100% dos rendimentos das aplicações acima de R$ 50 mil na poupança passarão a ser tributados em 2010.

Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

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