Mantega: medidas são para contrabalançar crise externa

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as medidas anunciadas hoje visam contrabalançar a desvalorização do dólar provocada pela crise internacional. Segundo ele, são medidas graduais e que o governo, como é do seu estilo, irá adotando mais medidas quando for necessário para atingir o objetivo do governo. Ao ser questionado se as mudanças de regras em períodos tão curtos, já que a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o exportador foi anunciada em janeiro, não traria insegurança ao investidor estrangeiro, Mantega disse que o governo tem mantido a transparência das regras, mas isso não quer dizer que tem que ficar inerte em uma situação conjuntural. "Aí você morre", disse. Mantega lembrou que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) está mudando regras para enfrentar situações conjunturais nos Estados Unidos. "Isso que estamos fazendo são pequenos ajustes, não tem nenhuma magnitude", afirmou. O ministro disse que, na ocasião em que foi fixado o pagamento de IOF sobre as exportações, o governo não pôde taxar as importações porque a legislação não permite e que, por isso, a isenção do IOF sobre as exportações estimulará as empresas a continuar exportando. Ele disse ainda que o IOF foi feito para ser usado no curto prazo.Título públicoMantega afirmou que o Brasil hoje apresenta condições mais favoráveis para estrangeiros, mas que o privilégio não precisa ser mantido. Segundo ele, a curva da dívida pública administrada pelo Tesouro pode ter alguma oscilação em função das medidas anunciadas hoje taxando de IOF o investimento estrangeiro em títulos públicos, mas Mantega acredita que essa curva não deve ser muito afetada. "A situação continua atraente", disse o ministro. Mantega explicou também que a cobrança do IOF somente nas aplicações de estrangeiros em renda fixa e nos títulos do Tesouro se deve ao fato de que nessas operações há uma entrada imediata de dólares no País, que ajuda na valorização do real. Nas demais operações, como derivativos, afirmou, há apenas a promessa de pagamentos em dólares no mercado futuro.

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