Mantega minimiza efeito da China sobre mercados

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, minimizou nesta terça-feira, 27, os efeitos no mercado financeiro internacional com a queda da bolsa de valores da China. "São oscilações normais no mercado financeiro", afirmou. Para ele, mais uma vez esse movimento mostrou a solidez da economia brasileira, "que está refletida, sobretudo, na taxa de câmbio que oscilou pouco hoje (terça)". "Não vejo problema de longa duração", disse Mantega, ao ser questionado se via o problema como o início de uma crise maior, como a que ocorreu na Ásia. O ministro classificou o movimento com a China como uma "pequena correção de ativos". "A expectativa dos analistas é de que será uma crise passageira. Vamos chamar de turbulência. Não chamaria de crise. É uma correção. É normal que esse mercado tenha correções", afirmou. O ministro destacou que a valorização do mercado acionário chinês foi de 160% no ano passado. "É alguma correção, não vejo problema de longa duração. Vejo um problema de curta duração que poderá causar alguma oscilação durante alguns dias, mas segundo os analistas vai terminar logo", disse o ministro. Sobre o impacto na Bolsa de Valores de São Paulo, que caiu 4,5%, Mantega disse que é preciso observar que a Bovespa subiu muito nos últimos tempos e isso pesou. "Quando se examina o movimento da bolsa tem que olhar o que tinha acontecido nos dias anteriores. E a Bovespa foi uma das bolsas que mais subiu nos últimos tempos. E isso também pesa nas contas. Tem margem para descer", afirmou. Preocupações com a ChinaSem nenhuma notícia específica e apenas com base em rumores do mercado, os investidores passaram a avaliar o risco de restrições aos investimentos na China. A bolsa do país computou a maior perda em dez anos e a quarta desde que foi criada em 1990. O índice Xangai Composto caiu 8,9%, reduzindo para 14% os ganhos acumulados este ano e após ter computado uma impressionante alta de 130% no ano passado.Operadores não identificaram nenhum notícia específica que propiciasse a queda e atribuíram o movimento à realização de lucros em ativos de grande capitalização protagonizada principalmente por investidores institucionais - ou seja, venda das ações para apurar o ganho obtido nos últimos dias.Mas os bastidores foram movimentados por especulações de que o governo poderá tomar medidas para conter os investimentos na reunião anual do congresso chinês, que começa em 5 de março. Segundo operadores, as especulações são de aumento do juro e de impostos, o que diminuiu a atratividade do investimento em ações. Estas medidas teriam o objetivo de combater movimentos especulativos, que vêm impulsionando o mercado, e esfriar a economia.

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