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Mantega muda discurso sobre o superávit

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste sábado que o governo brasileiro mantém o compromisso de "gerar pelo menos um superávit fiscal primário de 4,25% do PIB em 2006". A expressão "pelo menos" é novidade. No dia anterior, ele havia dito que os defensores de um resultado maior são contrários aos gastos sociais.Na semana passada, numa entrevista ao Estado, ele havia afirmado que só tentaria realizar o superávit "combinado", os 4,25%, e nada mais. O superávit primário é calculado sem as despesas com juros.O compromisso de alcançar "pelo menos" aquele resultado foi apresentado na reunião do Comitê Monetário e Financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), que abriu oficialmente o encontro de primavera. O comitê é formado por 24 ministros de países desenvolvidos e em desenvolvimento e funciona, politicamente, como uma espécie de síntese dos 184 associados da instituição. Foi a primeira participação de Mantega como representante do Brasil e de outros oito países de seu grupo.Quando lhe perguntaram numa entrevista, depois, se havia acordado ortodoxo, disse que não costuma deitar com uma opinião e despertar com outra. Afirmou que será aceitável um superávit pouco maior que o planejado, se a arrecadação for superior à prevista e não houver tempo de investir o dinheiro. Em seguida, repetiu que os 4,25% são o piso, mas que um superávit primário de 7% ou 8% seria prejudicial aos programas sociais. Só que ninguém propôs, até agora, um ajuste desse tamanho. Numa nova tentativa de explicação, disse que o governo não está mirando num resultado de 5,5% ou 6%.O discurso lido por Mantega, em inglês, seguiu o padrão dominante nas discussões dos últimos dias. Ele admitiu que "desequilíbrios globais bem conhecidos" podem quebrar o ciclo de crescimento econômico, se não forem corrigidos a tempo. Para isso será necessário elevar a poupança nos Estados Unidos, tornar mais flexível o câmbio nos países emergentes da Ásia (leia-se: na China) e promover reformas estruturais na Europa e no Japão.Mantega incluiu também, entre os motivos de preocupação, os altos preços do petróleo e o risco de uma pandemia de gripe aviária - fatores citados nas várias análises de conjuntura divulgadas pelo FMI e pelo Banco Mundial nas últimas semanas.

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