Mantega não crê que juro nos EUA chegue a 2% até dezembro

O ministro do Planejamento, Guido Mantega, admitiu na noite desta sexta-feira que o Brasil "talvez já esteja vivendo o epicentro da crise" financeira internacional em decorrência da provável alta do juro norte-americano. "Não acredito que o juro norte-americano vá subir um ponto porcentual neste ano", disse numa referência às sobre as apostas no mercado futuro nos EUA, de que os juros subirão dos atuais 1% ao ano para 2% até dezembro. Segundo ele, os mercados às vezes antecipam coisas que não se concretizam.O ministro acredita que o juro só seja elevado em agosto e a alta poderá ser de 0,25 a 0,50 ponto porcentual. "O presidente do Fed sabe a responsabilidade que lhe pesa nas costas", afirmou, ponderando que o Brasil está mais preparado neste momento do que no passado para enfrentar o choque externo, apesar do peso da dívida interna de R$ 1 trilhão.O ministro da Casa Civil, José Dirceu, não quis falar sobre a expectativa em relação ao juro nos EUA, mas reforçou o discurso de que o País hoje tem condições melhores para enfrentar uma turbulência externa. Segundo ele, se o Brasil ainda tivesse a mesma exposição cambial da dívida interna que recebeu do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estaria "em situação muito grave".Os ministros não responderam se a provável antecipação da alta do juro note-americano poderá intervir na trajetória de queda do juro básico no Brasil. Dirceu e Mantega participaram da solenidade de posse de Antoninho Marmo Trevisan na Academia Basileira de Ciências Contáveis, em São Paulo.

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