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Mantega não descarta possibilidade de medida cambial no País

Segundo ministro, não há ação em estudo, mas governo pode adotar medida caso o real continue se valorizando

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

12 de novembro de 2007 | 16h20

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira, 12, que não há nenhuma medida cambial em estudo para ser adotada no momento, mas não descartou a possibilidade de vir a adotar alguma caso haja uma valorização mais acentuada do real frente ao dólar. "Existe um monitoramento permanente da política, da situação do País, da condição das moedas, mas eu não tenho nada preparado que vá ser feito no momento", afirmou Mantega. "Isso não quer dizer que amanhã não seja feito ou depois de amanhã quebre o banco x, y ou z nos EUA, tem alguma repercussão, ou que o dólar derreta completamente - ele está derretendo um pouco, digamos. Estamos vigilantes", completou.  Segundo ele, o câmbio é uma das questões centrais da política econômica, que deve ser acompanhada como tal porque tem repercussões importantes. "A qualquer momento podemos tomar uma medida que considerarmos relevante e pertinente para o momento", disse. Mantega disse que o governo precisa se posicionar em cada momento diante das circunstâncias. Ele lembrou que há três meses houve uma turbulência internacional que não se sabia a extensão. "O governo poderia tomar alguma medida naquela conjuntura para responder à crise internacional", exemplificou. "Vários países fizeram isso, aumentando a liquidez, baixando ou subindo a taxa de juros. Cada um fez aquilo que era necessário. Naquela época nós nos mobilizamos e nos preparamos ou para dar liquidez ou para recomprar títulos. Tudo isso foi desnecessário", explicou. O ministro disse que as políticas cambial e monetária têm de ser acompanhadas a todo momento. "O governo pode resolver que agora não tem o que fazer e amanhã resolver que tem de fazer alguma coisa", reforçou. Segundo ele, o governo analisa o câmbio a todo momento e olha as repercussões dessa valorização do real em relação ao dólar. "É um acompanhamento normal. Não quer dizer que haja um pacote cambial sendo elaborado", ressaltou. Mantega avaliou que o impacto da desvalorização do dólar tem sido "aguda" nos últimos tempos. "Temos visto que há um descolamento do dólar em relação às outras moedas, portanto mantivemos um patamar de exportação maior para a União Européia do que para os Estados Unidos, por causa das vantagens de preços, e o resultado comercial tem sido acima do que era esperado. Não há nenhum problema se manifestando aí", afirmou o ministro.  Mantega avalia que o setor produtivo também tem conseguido superar o problema e vem crescendo. "A indústria está crescendo a 5,3% em média, a maioria dos setores está crescendo, mesmo os que mais sofrem com o câmbio - têxtil, moveleiro, calçados - têm uma reação, claro que estão usando mais o mercado interno, mas não há nada de grave", disse.  Ele lembrou que as exportações continuam crescendo e o superávit comercial está acima de US$ 40 bilhões. "O setor externo sempre nos apresenta surpresas. Ultimamente tem sido surpresas favoráveis, ao contrário do que vários analistas vinham dizendo. Um ano atrás, eles diziam que, com esse câmbio, teríamos perda de exportações e do superávit comercial ou que o setor manufatureiro não iria exportar. Nada disso se verificou até agora. Não quer dizer que não poderá haver. Não estou negando que mais adiante possa ocorrer. Mas por isso que temos de ficar atentos e vigilantes para tomar medidas quando forem necessárias", disse.  Mantega afirmou que o governo tem que se preocupar com o que está acontecendo agora e com o que vai acontecer daqui a pouco na iminência do investment grade. "Ou seja, no interesse maior do investidor externo no Brasil. São exercícios normais que fazemos sobre o câmbio e a repercussão na produção, na inflação. É isso, não há nada concreto", disse.

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