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Mantega: não há limite para déficit em conta corrente

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que o governo não trabalha com um limite para o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos brasileiro com o exterior, conforme disse na última terça-feira, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. "Não há nenhum limite numérico estabelecido para o déficit em conta corrente. O que há é uma preocupação do governo em não permitir que haja um aumento excessivo desse déficit e, para isso, nós vamos sempre estimular o máximo possível as exportações brasileiras, principalmente de manufaturados, que é o item que mais está incorrendo em déficit", afirmou Mantega.No último dia 24, Coutinho afirmou que o governo vê com atenção a evolução do déficit em conta corrente e não permitirá que ultrapasse 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).O ministro da Fazenda lembrou que o governo recentemente lançou uma política industrial, cujo objetivo é exatamente estimular as exportações e que não há novas medidas em curso nesse sentido, com exceção da política agrícola, prevista para ser lançada em 2 de julho deste ano. "O plano agrícola vai estimular a produção, o que acabará resultando em aumento expressivo das exportações. O setor agrícola também será fundamental para o aumento das exportações brasileiras", afirmou.Questionado se esse número do 1,5% do PIB foi comentado em algum momento no governo, Mantega reforçou: "o governo não trabalha com nenhum limite numérico de déficit em conta corrente e não fará nenhum artificialismo para que isso ocorra".InflaçãoMantega disse que o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central (BC) "corrobora" as projeções de mercado para a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano, em torno de 6%. Para ele, isso é até "razoável" porque a inflação no Brasil ainda está dentro da meta, o que, neste momento da economia global, só ocorre, segundo ele, em dois ou três países. "É um resultado razoável, diria até satisfatório, tendo em vista o aumento da inflação mundial, o que demonstra que o Brasil continua tendo um desempenho muito melhor do que o de outros países no controle da inflação", disse."O Brasil está com a inflação sob controle, um pouco acima, tendo em vista principalmente o choque de commodities (matérias-primas), mas ainda dentro da margem de tolerância da meta, o que é bastante satisfatório", reforçou Mantega. Ele lembrou ainda que, diante do surto inflacionário mundial, há países cuja inflação está duas vezes maior do que se previa.

FABIO GRANER, Agencia Estado

26 de junho de 2008 | 13h59

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