Mantega nega decepção com PIB do 1º trimestre

Ministro da Fazenda acredita que crescimento deve ficar em 4,5% neste ano

Agencia Estado

14 de junho de 2007 | 16h48

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta quarta-feira, 13, ter ficado decepcionado com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano. "Os números podem sofrer oscilações ao longo do ano. O mais importante é o resultado final, que eu acredito que ficará em 4,5% este ano", afirmou em entrevista à TV Bloomberg.De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira apresentou expansão de 0,8% nos três primeiros meses do ano ante o quarto trimestre de 2006, e de 4,3% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.Mantega destacou a manutenção da expansão da economia, que acumula 14 trimestres consecutivos de alta, o que, segundo o ministro, caracteriza um ciclo de crescimento sustentado. "O País continua a crescer de forma robusta, com o aumento dos investimentos e da geração de empregos", comentou. O ministro disse também esperar por uma aceleração da atividade econômica nos últimos dois trimestres do ano, em conseqüência da sazonalidade do período.JurosO ministro foi cauteloso ao comentar se o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) abre espaço para uma redução maior da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 12% ao ano). "Nem mesmo o Copom sabe o que vai fazer até a véspera da decisão", afirmou. Porém, ele observou que não vê motivos para o processo de redução ser interrompido. "Temos que olhar os juros de longo de prazo para ver o que vai acontecer com a taxa, e eles indicam que a Selic continuará em queda", comentou, em entrevista à TV Bloomberg.Segundo o ministro, o País vive uma situação muito confortável de inflação, que se encontra abaixo do centro da meta. "Não vejo nenhum analista defender o fim do processo de redução dos juros", ressaltou.A respeito da meta de inflação para os próximos anos, que será definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última semana do mês, Mantega defendeu a manutenção dos atuais 4,5% ao ano. "Na minha opinião, essa meta de inflação deu certo", afirmou. Para o ministro, o valor permitiu uma combinação de juros menores com um maior crescimento da economia.Segundo Mantega, no passado, quando o governo estabeleceu um valor muito baixo para a meta, o BC ficou "nervoso" e o Copom acabou elevando a taxa de juros com receio de não alcançar o objetivo.O ministro avaliou ainda que uma meta mais flexível permite ainda uma eventual absorção de flutuações inflacionárias temporárias, sem o risco de o BC "puxar o freio" da economia. CâmbioMantega admitiu ainda que a valorização do real frente ao dólar é inevitável diante da melhoria dos fundamentos da economia brasileira. "Não se pode esperar um País forte com uma moeda fraca", afirmou.Mantega disse que foi por conta dessa tendência que o governo tomou as medidas, anunciadas na terça, para ajudar os setores mais prejudicados pela queda da competitividade nas exportações, como o têxtil, de calçados e eletroeletrônicos. "Como o governo nunca nada em recursos, é preciso direcioná-los para os segmentos com maior necessidade", observou. Ele lembrou que grandes exportadores, como os produtores de commodities, possuem maior acesso a financiamentos e vêm se beneficiando da elevação dos preços dos produtos em dólar no mercado externo.Ainda sobre o câmbio, o ministro disse que é função do governo tomar medidas para evitar o excesso na valorização do real. Dentro desse esforço, ele citou as medidas anunciadas pelo Banco Central na última sexta-feira para reduzir a exposição cambial das instituições financeiras. Mantega afirmou que as mudanças ainda não tiveram tempo para surtir efeito nas cotações, já que duas das três alterações entram em vigor apenas a partir do dia 2 de julho, prazo dado para que os bancos se adaptem às novas regras.Matéria atualizada às 13h49

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