Mantega nega mais uma vez recursos para Varig

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje mais uma vez que o Ministério da Fazenda não dará dinheiro para a Varig. "Não cabe ao governo dar dinheiro para uma concessão, porque é dinheiro do contribuinte", afirmou. Segundo Mantega, o governo tentou ajudar pelo Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas "não existe no Orçamento da União recursos para isso". Ele afirmou ainda que o assunto deve ser tratado pelo Ministério da Defesa, e não pela Fazenda. "Não vejo o que o governo poderia estar fazendo sobre a Varig", afirmou. Na quarta-feira, o ministro já havia dito que, se a Varig quisesse um empréstimo do governo, teria que se dirigir ao BNDES porque o Ministério da Fazenda não empresta dinheiro. Ele fez essa afirmação em resposta a uma pergunta de jornalistas se o governo ajudaria a companhia aérea com aporte de recursos. Já o novo presidente do BNDES, Demian Fiocca, limitou-se a afirmar: "Vamos tomar uma decisão técnica sempre dentro das regras de prudência bancária". Fiocca, ao ser novamente questionado se o Palácio do Planalto havia pedido uma atenção especial ao caso da Varig, repetiu que a decisão será técnica. Fiocca, porém, não confirmou nem desmentiu se há negociações entre o BNDES e a Varig porque, segundo ele, o BNDES não comenta casos específicos. Pedido será feito na próxima semana Hoje, o presidente da Varig, Marcelo Bottini, informou que a empresa vai apresentar, na próxima semana, uma proposta de recuperação ao BNDES, mas não quis dar detalhes sobre a proposta, ressaltando que esta é uma das várias frentes em que a empresa aérea vem atuando para sair da crise financeira em que se encontra. Após se reunir com o ministro da Defesa, Waldir Píres, a quem apresentou a proposta, que foi feita na semana passada aos credores da Varig, Bottini explicou que ela passa pela negociação de um prazo para os pagamentos aos credores, como a BR Distribuidora, a Infraero e os arrendadores das aeronaves. Além disso, segundo Bottini, a empresa está fazendo uma redução de custos. Ele informou que a Varig pediu à Infraero e aos arrendadores um prazo de três meses para voltar a pagar a dívida com eles e de dois meses para a BR Distribuidora. "Cada credor tem um papel", disse ele. "A nossa proposta cria uma linha de crédito com o credor para criar uma ponte entre a baixa e a alta estação, até que o processo de captura de investidor não esteja concluído". Segundo o presidente da Varig, essa linha de crédito seria em torno de US$ 200 milhões, dos quais US$ 70 milhões com os credores estatais -BR Distribuidora e Infraero. Ele disse que, por exemplo as taxas devidas à Infraero seriam suspensas, no momento, e a Varig voltaria a pagá-las mais à frente. Bottini disse que as negociações com os credores são "a ponte necessária que a empresa precisa para alcançar o que nós chamamos a hora dos investidores". Empresa não vai parar de voar Quanto a seu encontro com o ministro da Defesa, Bottini relatou que ele recebeu a proposta e disse que trataria do assunto. Bottini destacou que esta não é a única frente com que a Varig vem trabalhando. Ele lembrou dos investimentos que estão sendo feitos na VarigLog e das negociações com a Ocean Air para um acordo de Code Share, informando, também, que a empresa de consultoria internacional Alvarez e Marçal está trabalhando para a Varig. O presidente da companhia aérea garantiu que a Varig não vai parar de voar. "Não tenho a menor dúvida de que a Varig não vai parar de voar", afirmou. Segundo ele, os cancelamentos de vôos, que aconteceram hoje, fazem parte da rotina. "Tem vôo cancelado todo dia. Alguns cancelamentos são feitos em nome da segurança do vôo", afirmou.

Agencia Estado,

07 Abril 2006 | 18h11

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