Mantega nega, mas tabela do IR deve mudar

Apesar do desmentido do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao voltar de suas férias, de que o governo não estuda a correção da tabela do Imposto de Renda de pessoa física, o Planalto cogita essa possibilidade, conforme anunciou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (porta-voz da presidente Dilma Rousseff), após reunião de anteontem com as centrais sindicais.

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

Mas, segundo um dos interlocutores da presidente, o governo só vai discutir a questão depois de assegurar o valor do salário mínimo, de preferência em R$ 545, acenando com alguma possibilidade de chegar a R$ 550. Em nome do equilíbrio fiscal, o Planalto rejeita qualquer valor acima disso, considerando inviável até mesmo os R$ 560 - um meio-termo entre os R$ 580 pleiteados pelas centrais e os R$ 545 oferecidos pelo governo.

A presidente Dilma Rousseff foi avisada das declarações de Mantega quando estava no Rio, em almoço com o prefeito da cidade, Eduardo Paes. Dilma já recomendou aos ministros que não discutam pela imprensa. O governo está tentando atenuar as declarações de Mantega, justificando que elas não confrontam com as de Carvalho porque a correção da tabela não estava sendo estudada antes e o ministro da Fazenda estava de férias.

Justifica ainda que as centrais sindicais colocaram o assunto na mesa de negociações oficialmente na quarta-feira, e Carvalho avisou que, se o governo decidir dar alguma coisa, será o centro da meta da inflação deste ano, e não a inflação do ano passado. Com isso, o governo já rejeita os 6,46% pedido pelas centrais, que representariam uma perda de receita de R$ 1,5 bilhão, concordando em discutir a possibilidade de reajustar a tabela em 4,5%, com perda de R$ 1 bilhão.

Aposentadorias. A questão do reajuste das aposentadorias com valor acima do salário mínimo, no entanto, não está na pauta do governo, conforme foi reiterado ontem por uma fonte.

"Aposentado que ganha acima de um salário mínimo não pode receber mais do que a reposição da inflação. Este assunto não está em discussão para o governo", comentou um interlocutor da presidente, sinalizando aos sindicalistas que este assunto não entrará em discussão.

Até o fim da tarde de ontem, Gilberto Carvalho evitou qualquer declaração pública para não parecer que estava confrontando ou desafiando Guido Mantega. Um ministro consultado pelo Estado disse que "ninguém se importou muito com a declaração dele (Mantega) porque ele estava de férias e já fez isso outras vezes". /

COLABOROU ADRIANA FERNANDES

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