Mantega: PIB crescerá entre 0,5% e 1% no 2º trimestre

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, previu hoje um crescimento de 0,5% a 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano. O resultado será divulgado oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima sexta-feira.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

30 de agosto de 2010 | 13h12

Mantega afirmou que a economia brasileira certamente crescerá a uma taxa menor que a observada no primeiro trimestre deste ano - que foi de 2,7% em relação ao quarto trimestre de 2009 e de 9% ante o primeiro trimestre do ano passado. "Eu não vou cravar o número aqui, prefiro trabalhar com o intervalo de 0,5% a 1%", disse o ministro.

Segundo ele, o mercado estava pessimista em relação ao PIB de 2010, mas agora já crava expectativas em torno de 7%, mesmo prognóstico do Ministério da Fazenda - na pesquisa Focus divulgada hoje, o índice previsto pelo mercado é de 7,09%. "Esta será a maior taxa de crescimento dos últimos 24 anos. Só em 1986 tivemos um crescimento parecido", afirmou.

Para o período de 2011 a 2014, o ministro acredita que a economia brasileira tem condições de crescer a uma taxa média anual de 5,8%. "Para 2011, acreditamos num crescimento em torno de 5%. Nós acreditamos em crescimento sustentado e com qualidade", disse. Mantega participou hoje do 7º Forum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

Pré-sal

O ministro disse que ainda não se chegou a um consenso sobre o preço do barril de petróleo a ser cedido onerosamente pela União à estatal, mas sem fornecer maiores detalhes. "Não tenho nada a declarar, até porque sou o presidente do Conselho (da Petrobras). Não chegamos a um consenso em relação ao preço do barril", disse.

Ele afirmou ainda que "todos os comunicados sobre a capitalização da Petrobras serão feitos daqui para frente por meio de fato relevante". Segundo Mantega, "tudo que sair na imprensa sobre este assunto é especulação".

Indústria

Mantega rebateu ainda, durante o fórum, as avaliações de que há um processo de desindustrialização em curso no País. O presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, havia defendido essa tese um pouco antes, no mesmo seminário.

"Não vejo processo de desindustrialização", disse Mantega. "Claro que, com a crise de 2008, houve uma redução das exportações de manufaturados, mas eu não chamo isso de desindustrialização", afirmou, acrescentando que a produção industrial deve fechar o ano com crescimento expressivo em relação a 2009. "E vamos continuar crescendo. É claro que alguma indústria trabalha com componentes externos, mas o presidente da Fiesp (também presidente da CSN) trabalha com a siderurgia, que perdeu espaço lá fora, mas está vendendo mais para construção civil no mercado interno. Garanto que não haverá desindustrialização", disse.

Mantega acrescentou que, em países mais desenvolvidos, é normal que o setor de serviços cresça mais e que a indústria e a agricultura cresçam menos. "No Brasil, a agricultura pesa menos no PIB (Produto Interno Bruto) e nem por isso podemos dizer que o setor cresce menos, porque temos uma agricultura das mais dinâmicas do mundo", disse o ministro.

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