Mantega prepara medidas para baixar custo do crédito

Ministro diz também que, se for necessário, o governo fará novos ajustes em suas despesas

Ricardo Leopoldo e Chiara Quintão, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que, se for necessário, o governo fará "novos ajustes nas despesas", a fim de permitir que o País continue adotando medidas anticíclicas "que estão dando resultados", além de anunciar novas medidas na área de crédito. O ministro, porém, não detalhou as áreas nas quais os cortes poderiam ser feitos.Mantega ressaltou que as demandas interna e externa foram muito afetadas pela crise financeira internacional e que os investimentos ficaram deprimidos. Segundo ele, para alavancar a Formação Bruta de Capital Fixo no País, o governo pode adotar novas ações, mas também não especificou quais seriam. "Nós não podemos falar de medidas que ainda estão sendo amadurecidas pelo governo, mas que em breve serão apresentadas. Na área de crédito, haverá novidade e redução do custo de modo geral", disse, após o evento Destaque Agência Estado Empresas, que premiou as dez empresas que garantiram melhor retorno aos acionistas ao longo de 2008.Entre as medidas em estudo para reduzir o custo do crédito para o setor produtivo, está a entrada em funcionamento do Fundo Garantidor de Crédito destinado às pequenas e médias empresas. Segundo o ministro, o governo não tomou nenhuma decisão sobre a prorrogação da redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para a compra de veículos. Ele afirmou que o governo está atento a todos os segmentos produtivos, especificamente aos que receberam o benefício fiscal, e quer verificar quando o movimento de vendas retomará níveis normais sem necessitar mais de incentivos.De acordo com o ministro, o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 deve ser positivo, "mas será muito fraco". Segundo ele, em 2010 o País deverá crescer 4% e em 2011 a taxa mínima de expansão do País será de 5%. "Estamos primeiro olhando o nível de atividade e em segundo lugar o problema fiscal", disse. Mantega ressaltou que como as contas do governo estão em ordem, a tendência é de queda da dívida pública.O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou no mesmo evento que as tratativas para o contrato de financiamento de R$ 25 bilhões à Petrobrás estão em fase final. "O contrato deve ser assinado ainda em junho", disse. A expectativa é que os desembolsos comecem a ser feitos no máximo no início de julho.De acordo com Coutinho, os desembolsos do BNDES deverão somar R$ 120 bilhões este ano, incluindo os aportes à Petrobrás. A disponibilidade de recursos para 2009 é de R$ 166 bilhões, mas, segundo ele, o desembolso do total seria uma meta se o sistema bancário privado não estivesse se recuperando. Ele prevê que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) das empresas deve ultrapassar 80% ou 81% no fim do ano. "A partir daí, as decisões de investimento começam a ser deflagradas", disse. Ele ressaltou que a ociosidade é maior na indústria de manufaturados, pois o uso foi reduzido em função da necessidade de ajustar estoques: "Os planos de investimento não foram cancelados, mas adiados."

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