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Mantega: presidente do Itaú Unibanco 'se equivocou'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o presidente do banco Itaú Unibanco, Roberto Setubal, se equivocou ao criticar a estratégia dos bancos públicos. Na terça-feira, Setubal disse que a redução de taxas de spread (diferença entre os custos de captação e os juros cobrados), promovida pelos bancos oficiais, "não é sustentável". Para Mantega, "Setubal se equivocou, pois não viu o resultado do BB. Ele cometeu uma falácia, um erro grave".

FÁBIO GRANER E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

13 de agosto de 2009 | 13h37

O ministro afirmou, durante entrevista coletiva sobre os resultados do BB, que os bancos privados deveriam seguir o exemplo do banco público, "senão vão comer poeira". Segundo ele, os bancos públicos tomaram mercado dos privados como resultado da estratégia de ampliação do crédito e de redução das taxas de juros.

Mantega lembrou que, nos bancos privados, houve redução do crédito e aumento do spread bancário. Já o BB obteve lucros com um nível de inadimplência menor do que a média do sistema financeiro e dentro da responsabilidade. "É uma lição para os bancos privados. É bom que eles acordem", destacou.

Segundo o ministro, os bancos públicos pressionarão cada vez mais, ampliando a concorrência bancária. "É possível fazer política pública contentando os acionistas, que terão mais dividendos. Quero parabenizar a nova diretoria do Banco do Brasil, que levou essa estratégia à frente, com tenacidade e responsabilidade", afirmou.

Comércio varejista

Durante a coletiva, Mantega aproveitou para comentar o resultado do comércio varejista no primeiro semestre de 2009. Segundo ele, o desempenho foi "excelente". Mantega disse que o setor, excluindo material de construção e automóveis, vendeu 5,6% a mais em junho do que no mesmo mês de 2008, quando a economia estava crescendo fortemente. Para o ministro, esse resultado mostra que o Brasil tem um mercado consumidor robusto, que está impulsionando a reativação da economia. "Podemos dizer que o Brasil está superando a crise e saindo fortalecido. E um dos vetores (para isso) é o mercado consumidor, que está indo bem."

Mantega contou ainda que, na reunião de ontem do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), formado por empresários de vários setores, foi mostrado que está havendo uma recuperação econômica em todos os setores. Ele citou a retomada do setor siderúrgico, que, segundo ele, opera com 70% da capacidade instalada, depois de ter ficado com metade da indústria parada no auge da crise.

Para o ministro, a recuperação da economia mostra que as políticas adotadas pelo governo, com desonerações e recuperação do crédito, foram bem-sucedidas. Ele lembrou que o setor automotivo, por exemplo, registrou vendas 2,4% maiores de janeiro a julho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo Mantega, hoje já é possível comprar automóveis com prazos mais longos e juros mais baixos. "Estou muito satisfeito com esse resultado, e os empresários estão animados".

Fundo Garantidor

O ministro da Fazenda informou ainda que o Tesouro Nacional realizou ontem o primeiro aporte, no valor de R$ 500 milhões, ao Fundo Garantidor de Crédito que será operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "O fundo já está em condições de operar", disse o ministro. Segundo ele, o BNDES também fez um aporte, no valor de R$ 100 milhões.

O Fundo Garantidor foi criado para oferecer garantias às empresas de pequeno porte que ainda encontram dificuldades em obter financiamento. Um segundo fundo também será operado pelo Banco do Brasil.

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