Mantega prevê crescimento de 1,2% no terceiro trimestre

Ministro, contudo, crê que a situação da economia internacional não deve melhorar em 2013

Gustavo Porto e Francis Carlos de Assis, da Agência Estado,

23 de novembro de 2012 | 11h05

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na manhã desta sexta-feira, na 32ª Reunião do Fórum Nacional da Indústria, realizada em São Paulo, que a situação internacional não deve melhorar em 2013, apesar da perspectiva de que a economia americana melhore no próximo ano. O ministro lembrou que a economia europeia está em recessão, o que aponta para o fechamento do mercado europeu para o País.

Mantega previu, no entanto, que a economia brasileira deve ter crescimento de 1,2% no terceiro trimestre de 2012 e de 1,1% no quatro trimestre deste ano, com crescimento anualizado ao fim do ano de 4,5%. "Esperamos que 2013 comece com crescimento de pelo menos 1,7% e trabalhamos para crescer em torno de 4% em todo o ano", disse o ministro.

Investimentos

Mantega citou várias medidas tomadas pelo governo em 2012 para incentivar a retomada dos investimentos no País. "Estamos trabalhando para que os investimentos voltem fortes e a perspectiva é de que os investimentos tenham alta de 8% em 2013", afirmou.

Mantega confirmou ainda que o programa de concessão de portos será lançado na semana que vem e lembrou do pacote de redução de custos de energia apresentado pelo governo. "Estamos trabalhando para reduzir custos de modo geral, como de energia", disse ele. Especificamente sobre o setor energético, Mantega lembrou que as concessionárias queriam a renovação automática dos contratos, mas que isso não está previsto e defendeu a proposta do governo de renovação com custos menores.

"Tem empresas que querem renovação de tarifa alta. Queremos continuar com estas empresas e em 30 anos elas terão rentabilidade", afirmou. "Mas não podemos prejudicar uma maioria por causa de um grupo que quer lucros altos".

Mantega cobrou dos empresários presentes ao evento do qual participa em São Paulo, defensores da redução dos preços da energia, que se mobilizem pelo projeto do governo de corte dos preços da energia atrelado à renovação dos contratos do setor. "Uma meia dúzia está fazendo barulho e é preciso que a indústria se mobilize".

Inflação sob controle

Mantega afirmou que o País vive sob uma nova matriz econômica, na qual a política monetária trabalha com o controle da inflação e com juro mais baixo. Além disso, segundo Mantega, o câmbio está em uma "posição razoável, não ainda totalmente satisfatória e já dá sinais de melhora".

"Estamos usando outros instrumentos para o controle da inflação", afirmou. De acordo com o ministro as importações diminuíram e as exportações de manufaturados melhoraram, mesmo com um cenário internacional desfavorável. Ele acrescentou que o governo federal segue empenhado para destravar o comércio com a Argentina.

Mantega disse também que o governo trabalha para manter a solidez fiscal com a redução de dívida e na redução de tributos. "Estamos agora com agenda do ICMS e PIS/Cofins para 2013", disse.

O ministro enxerga um um período de transição entre a política monetária e cambial no País. "2012 é um ano que será marcado pela desintoxicação do juro alto, com a implantação de uma nova matriz marcada pelo ganho produtivo", disse o ministro.

Segundo ele, o setor produtivo até então havia se adaptado a um cenário com juros altos e o câmbio desvalorizado, que agora mudou. "As empresas faziam aplicações financeiras e o poupador olhava mais para os ativos financeiros. Mas agora têm de migrar para os ativos produtivos", disse o ministro para empresários em São Paulo. "A economia demora para se adaptar a essa nova matriz macroeconômica", completou.

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