Mantega prevê estabilização da taxa de câmbio

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta que a tendência é de estabilização da taxa de câmbio com o aumento das importações e a queda da taxa de juros. Apesar de afirmar que é "ruim" o ministro da Fazenda fazer comentários sobre câmbio, Mantega disse que o governo não tem a prerrogativa de interferir no nível da taxa, porque o regime cambial brasileiro é flutuante, mas ressaltou que o Banco Central vai continuar comprando dólares para recompor as reservas internacionais do País. "O que nós poderemos fazer em algum momento é o BC comprar reservas. Isso ele está fazendo e continuará fazendo, porém nós dependemos mais é do fluxo de dólares e da taxa de juros", disse o ministro. Mantega negou declarações a ele atribuídas na terças pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello. Após audiência com o ministro, Mello, em entrevista gravada pelo Estado, atribuiu ao ministro a seguinte declaração: "Ele (Mantega) tem a sensação de que deveremos ser otimistas em relação ao câmbio. O fundo do poço já foi alcançado e já há sinais que indicam que, certamente, alguma revalorização do dólar deverá ocorrer". Mello chegou até a dizer que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, também tinha feito a mesma a avaliação. Questionado sobre as declarações do presidente da Abimaq, Mantega afirmou que não poderia ter feito tais declarações, porque o Brasil vive hoje um regime de câmbio flutuante. "É um regime bom, e não deve ser mudado. Ele flutua ao sabor de vários fatores, como o superávit comercial e a entrada de dólares no País." A entrevista de Mello causou constrangimento no Ministério da Fazenda. O dirigente da Abimaq chegou a enviar uma carta ao ministro afirmando que não tinha dito o que disse e que a reportagem do Estado estava equivocada. Mantega reiterou, porém, que o mercado é que dirá em que patamar à taxa de câmbio vai se situar. "Eu acredito que, com o aumento das importações e com a queda da taxa de juros, a tendência é que o câmbio esteja mais estável, possa se estabilizar", opinou o ministro. Ele enfatizou que pode haver um aumento das importações por conta da aceleração do nível de atividade econômica. " Nós estamos com aquecimento da atividade econômica", disse. Mantega disse que o ministro da Fazenda não pode ficar fazendo muitas declarações sobre câmbio para não parecer que está interferindo no seu patamar.

Agencia Estado,

12 Abril 2006 | 19h45

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.