Mantega prevê novo corte se reajuste for sancionado

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, advertiu ontem que o governo terá de fazer um novo corte de despesas no Orçamento deste ano, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancione o reajuste de 7,72% aprovado pelo Congresso para os aposentados do INSS que recebem acima de um salário mínimo.

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

Mantega disse que o governo não tem como arcar com um aumento dos benefícios dessa magnitude e a redução nos gastos será necessária para manter o equilíbrio das contas públicas.

Esse poderá ser o terceiro corte nas despesas do Orçamento deste ano. No início do ano, o governo cortou R$ 21,8 bilhões e, neste mês, mais R$ 10 bilhões. Embora a equipe econômica tenha recomendado o veto ao presidente, Lula está analisando o impacto político da decisão em ano eleitoral. Em caso de o reajuste ser rejeitado pelo presidente, o governo poderá editar uma medida provisória estabelecendo um abono de 6,14% aos aposentados. Esse é o porcentual que tinha sido proposto pelo governo e vem sendo pago desde janeiro. Mas, ao tramitar no Congresso, foi alterado para 7,72%.

Mantega afirmou que é preciso ser cautelos o com o aumento dos gastos para que o País não perca a situação privilegiada de ter contas públicas sólidas. Na semana passada, a equipe econômica foi obrigada a fazer o corte adicional de R$ 10 bilhões das despesas do governo em 2010 para tentar frear o crescimento econômico do País, bastante aquecido no primeiro trimestre. Foi a primeira vez que o governo teve de fazer um segundo contingenciamento, além do que costuma ocorrer no início de cada ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.