Mantega prevê ''pouso suave no dólar'' em evento em Nova York

Em encontro do ministro com investidores, economista diz que governo brasileiro usa câmbio contra a inflação

Luciana Antonello Xavier, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Enquanto o governo tenta mostrar que está pronto para usar todos os seus instrumentos para evitar uma valorização excessiva do real, alguns avaliam que o Banco Central está na verdade aceitando ter uma moeda cada vez mais forte.

Em evento ontem para investidores e analistas em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo tem atuado tanto para combater a valorização do real, de modo a permitir uma desaceleração suave, como contra a inflação, para que, mesmo não ficando no centro da meta de 4,5%, também não estoure o teto, de 6,5%.

No mesmo evento, o economista do Brasil Barclays Capital, Marcelo Salomon, afirmou que acredita que o Banco Central parece ter aceitado deixar o real se valorizar mais nas últimas duas semanas para ajudar a conter a inflação e estima que a moeda americana deve ir a R$ 1,50 nos próximos três meses.

"Acho que parte da estratégia que o governo está adotando hoje é muito parecida com a asiática. De que você está usando um instrumento de política monetária ortodoxo, que é juro, com outros instrumentos, como medidas macroprudenciais. Mas, ao mesmo tempo, porque os fluxos são tão grandes, você deixa a moeda te ajudar também", disse o economista, após participar de palestra no "2011 Brazil Summit", promovida pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.

Além de Mantega e Salomon, o evento contou com a do ex-presidente do BC Henrique Meirelles. Segundo Salomon, o BC ainda deve optar por aumentar a Selic em 0,50 ponto porcentual na reunião da próxima semana, para 12,25%, e continuar usando medidas macroprudenciais para tentar diminuir a expansão de oferta de crédito do consumidor. "Mas, se a inflação continuar a subir, então acho que eles vão ter de subir os juros de novo em algum momento este ano."

Pouso suave. Durante o evento - fechado a analistas e investidores estrangeiros -, Mantega afirmou que o dólar tem se mostrado mais fraco em relação a várias moedas, mas o governo tem agido para atenuar esse movimento. "Afinal, o real continua sendo uma moeda flutuante e tanto pode flutuar para um lado como para o outro", completou.

Ao falar sobre inflação, o ministro ressaltou que a alta dos preços é hoje um problema mundial, e não só do Brasil, mas está confiante de que o índice ficará dentro da meta de 4,5% este ano.

Mantega alertou que países avançados também têm hoje "surto inflacionário que deve ser olhado com cuidado".

Estratégia

MARCELO SALOMON

ECONOMISTA DO BRASIL BARCLAYS CAPITAL

"Acho que parte da estratégia que o governo está adotando hoje é muito parecida com a asiática.

De que você está usando um instrumento de política monetária ortodoxo, que é juro, com outros instrumentos, como medidas macroprudenciais. Mas, ao mesmo tempo, porque os fluxos são tão grandes, você deixa a moeda te ajudar também"

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