Mantega: previsão para PIB em 2009 está mais para 2%

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem, em entrevista à Rede Globo, que sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009 está mais próxima a um crescimento de 2% do que a zero, referindo-se ao intervalo de projeções citado por ele na última quinta-feira (dia 14). Naquela ocasião, foi a primeira vez que o ministro admitiu, ao projetar variação de zero a 2%, que a economia brasileira pode ficar estagnada este ano - até então, a previsão da Fazenda era de expansão de 2%, mais alta do que a do Banco Central, que estimou 1,2% em seu último relatório de inflação.

MARISA CASTELLANI, Agencia Estado

16 de maio de 2009 | 13h43

"O governo não trabalha com (previsão de) crescimento zero, mas com crescimento positivo. No mínimo zero, até 2%. Eu acho que é mais para 2% do que zero", afirmou o ministro. Justificando a redução da faixa de projeção para o crescimento do PIB deste ano, Mantega disse que o quarto trimestre de 2008 foi "pior do que o esperado" e o primeiro trimestre de 2009 "foi fraco". "A economia começou a se mover mais rapidamente a partir de março, último mês do primeiro trimestre", afirmou. "Então, janeiro a fevereiro foi fraco, março começou a reagir, abril está indo bem e maio está indo bem. Então, já estamos em recuperação. Olhando para frente, a economia está crescendo, se aquecendo. No fim do ano, vamos sentir bem esse aquecimento."

O ministro também disse que o juro básico da economia brasileira (taxa Selic) só poderia cair até 9% ao ano se o Congresso não aprovar as propostas apresentadas pelo governo para taxar com Imposto de Renda (IR) o rendimento das cadernetas de poupança cujos saldos superarem R$ 50 mil a partir de 2010 e reduzir o tributo de fundos de investimento ainda em 2009. "Mas isso (9%) não é suficiente para o que precisamos", afirmou. Mantega disse acreditar que o Congresso aprovará as propostas do governo, porque tudo foi conversado com os líderes da base aliada, estes concordaram com as mudanças e são maioria.

O ministro afirmou ainda que o governo não tem pressa, porque a proposta de mudança nas cadernetas é para 2010 e isso só entraria nas declarações de imposto de renda em 2011. E que também vai observar o ritmo de eventual migração de aplicações dos fundos para a caderneta de poupança. "Temos R$ 260 bilhões em cadernetas de poupança e R$ 600 bilhões em fundos de renda fixa. Se for pequena a migração, não vale a pena mexer em nada." Mantega também acredita que haverá redução das taxas de administração dos fundos. "Se começar a ter saída, eles (os administradores de fundos) também terão de se adaptar aos novos tempos", disse.

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