Mantega: problema inflacionário ocorre no mundo todo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou hoje que o mundo todo enfrenta um "problema inflacionário que há muito tempo não se via". As causas, segundo ele, são muito claras. Entre elas estão a crise do subprime nos EUA, que leva os investidores de papéis de países avançados a trocarem suas aplicações para o segmento de commodities, e o baixo nível dos investimentos no setor agrícola nos últimos 20 anos. "Este quadro, com o aumento da demanda por causa do crescimento de países emergentes, como Chile, Índia e até Brasil, acaba apresentando um crescimento mais rápido da procura de alimentos do que da oferta", enumerou Mantega, durante palestra na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a um grupo de cerca de 200 empresários. Além disso, segundo o ministro, fenômenos naturais, como enchentes e secas, também prejudicam o setor. Ele destacou que vários países estão se desviando das metas de inflação, citando como exemplos Suécia, Chile, México, Noruega e África do Sul, entre outros. "O Brasil, por sua vez, está dentro da meta, mas é preciso levar em consideração a banda", disse.Mantega também comparou o Brasil aos outros integrantes do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), salientando que o Brasil é o que apresenta a melhor performance inflacionária. O ministro lembrou que até abril o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses está em 5,04%, mas destacou que se forem retirados itens agrícolas como feijão, leite e carne, a inflação no período seria de 2,4%. "De fato, os alimentos são um peso importante na inflação, mas não são só eles", ponderou.Para o ministro, a inflação dos alimentos deve estar no teto neste momento e tende a desacelerar com a entrada de novas safras. "É claro que eles (alimentos) não vão cair para o patamar de antes, porque a demanda cresceu mais do que a oferta, mas deverá haver redução", destacou. Ele chamou a atenção para a família dos Índices Gerais de Preços (IGPs), que já chegou a acumular alta de 12% em 12 meses. "Mas isso não quer dizer que será transmitido para o consumo", ressaltou.

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