finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mantega propõe real como uma das alternativas ao dólar

A moeda brasileira deveria ter lugar na cesta do FMI porque está ganhando representatividade, alega o ministro da Fazenda

Daniela Milanese, enviada especial,

18 de fevereiro de 2011 | 16h45

O real deveria ser incluído na cesta de moedas do Fundo Monetário Internacional (FMI) - os direitos especiais de saque (SDRs, na sigla em inglês) -, sugere o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele acredita que o mundo precisa transitar para um modelo multipolar de moedas, como forma de criar alternativas ao dólar.

Mantega argumenta que os Estados Unidos perderam a posição de mais representativos para o comércio internacional, ultrapassados pela China e a Alemanha. Nesse sentido, uma solução seria dar mais importância e conversibilidade aos SDRs, hoje compostos por quatro moedas. Para isso, o FMI precisaria se transformar num banco global emissor.

O real deveria ter lugar na cesta do FMI porque está ganhando representatividade e supera as transações com o iene no mercado de derivativos, alega Mantega. Ele também defende a entrada do yuan nos SDRs. "Isso também tiraria um peso das costas dos EUA, pois atrapalha na hora de fazer política monetária", afirmou o ministro.

Volatilidade reduzida

Se o Brasil não tivesse adotado medidas para conter o fluxo de recursos externos, o dólar estaria abaixo de R$ 1,50, avalia o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a volatilidade cambial foi reduzida no País. Mantega acredita que o fluxo de recursos continuará subindo, mas avalia que não necessariamente o Brasil terá de adotar novas medidas cambiais para conter o fluxo de capital estrangeiro. "Temos certa estabilidade", afirmou. Ele reiterou que seguirá observando os movimentos do câmbio e, se houver novo fluxo forte de dinheiro rumo ao Brasil, pode voltar a agir.

Mantega participou hoje à tarde de reunião dos Brics, preparatória para o encontro ministerial do G-20, que começa hoje, em Paris. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também esteve presente.

Após a reunião, Mantega seguiu para o Palácio do Eliseu, para recepção pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Amanhã, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20 passam o dia reunidos e divulgam comunicado à tarde.

Câmbio da China

O Brasil possui uma visão diferente dos Estados Unidos sobre a questão do câmbio da China, afirmou há pouco o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele acredita que os países avançados também têm responsabilidade pelos desequilíbrios globais. "Não existe um único responsável", disse em entrevista após a reunião do Brics, em Paris.

Conforme o ministro, diversos países possuem o câmbio administrado e o ideal seria que abandonassem ou limitassem a prática. Ele reiterou que a política monetária frouxa dos Estados Unidos provoca desequilíbrios.

Indicador de desequilíbrio não deve ser obrigatório

Não existe consenso entre os membros do G-20 sobre o tratamento dos desequilíbrios globais, um dos temas mais polêmicos em debate atualmente. Alguns países querem definir índices e estabelecer limites para os déficits e superávits. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que é possível construir parâmetros, mas é preciso escolher quais seriam os melhores indicadores para mensurar a questão.

Os Brics concordaram hoje que, de qualquer forma, o controle desses indicadores não pode ser obrigatório."Deve ser apenas uma recomendação aos países", afirmou. Entre os Brics, existe o consenso de que a área fiscal deve ser considerada para a análise dos desequilíbrios globais. Entretanto, há divergências no que se refere ao lado comercial e de conta corrente.

No caso da conta corrente, existe uma restrição porque ela abrange também a conta financeira, que inclui aplicações financeiras no exterior, não necessariamente um sinal de desequilíbrio. Os Brics avaliam que seria melhor usar a conta de bens e serviços. "Ainda temos desequilíbrios porque alguns países desenvolvidos não se recuperaram da crise", disse Mantega.

Tudo o que sabemos sobre:
Mantegarealdólarcâmbio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.