Mantega quer consumo sustentável; nega limitar crédito

O governo quer evitar que o crédito eo consumo cresçam de forma insustentável ao longo dos próximosanos, mas não cogita restringir os prazos dos financiamentos,afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nestasegunda-feira. Para garantir que o ritmo atual de crescimento da economianão tenha de ser "abortado", Mantega disse que serão concedidosestímulos para investimentos a setores-chave, como oautomobilístico, aço e cimento. O objetivo é evitardescasamento entre oferta e demanda. O ministro também pretende se reunir com representantes dosbancos para obter garantias de que o nível de alavancagem dasinstituições é seguro. "Não estamos pensando em estabelecer limites de prazo parafinanciamentos", disse Mantega a jornalistas em entrevistaconcedida em seu gabinete. "Então não deve haver nenhuma preocupação, nenhuma atitudedo consumidor, que vai continuar tendo oportunidade de comprarbens de consumo duráveis, televisores, geladeiras, automóveis,todos os bens que estão sendo consumidos pelos brasileiros." A questão do consumo, que tem sido o principal motor docrescimento econômico do país, vem preocupando a equipeeconômica em meio à crise global de crédito. Nos últimos dias, a imprensa noticiou que o governoestudava limitar os prazos de financiamentos para automóveis a36 meses. FUTURO Mantega disse ter segurança de que o ritmo atual decrescimento do país é sustentável e que "não há um processoinflacionário preocupante no Brasil", mas destacou que o focode atenção é "o futuro". "Eu prefiro ter um crescimento menor de 5, 5,5 por cento,durante 10, 15, 20 anos consecutivos, do que ter um rompante decrescimento em algum momento para depois esse rompante ter queser abortado em função de desequilíbrios que possam acontecer",afirmou. Ao comentar benefícios que podem ser concedidos a setoresespecíficos para estimular o aumento da capacidade de produção,Mantega afirmou que estes deverão estar previstos no conjuntode medidas de política industrial que o governo deve anunciarem cerca de duas semanas. As medidas terão caráter "horizontal", segundo o ministro,mas poderão trazer benefícios especiais a setores específicosque estão liderando o crescimento econômico.

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