Mantega rebate a Febraban e diz que bancos têm margem para reduzir o juro

Ao invés de aumentar crédito, bancos vieram fazer cobrança, disse o ministro

Eduardo Cucolo e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

12 de abril de 2012 | 10h56

Texto atualizado às 12h13

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou explícita a discordância entre governo e Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre a questão da redução do spread bancário e dos juros no Brasil. Ao chegar ao ministério na manhã desta quinta-feira, 12, Mantega disse que o presidente da Febraban, Murilo Portugal, que esteve anteontem em Brasília para discutir a questão, fez cobranças ao invés de trazer soluções para o problema.

"O presidente (da Febraban) Murilo Portugal esteve aqui outro dia e, ao invés de apresentar soluções, anunciando aumento de crédito, veio aqui fazer cobrança, cobrança de novas medidas do governo, de desoneração etc. Se os bancos são tão lucrativos, eles têm margem sim para reduzir as taxas e aumentar o volume de crédito", afirmou.

"Os bancos privados têm margem para reduzir taxas e aumentar o volume de crédito", afirmou Mantega. "Não vamos deixar a falta de crédito frustrar o crescimento da economia".

Mantega afirmou que a lucratividade dos bancos brasileiros está entre as maiores do mundo. Para ele, o governo avalia que isso é bom, mas que esse lucro tem de estar relacionado ao aumento do crédito.

Mantega fez uma avaliação das condições atuais da economia: crescimento sólido, inflação baixa ("em torno de 4,5%"), resultado fiscal maior e disposição dos consumidores para gastar. Acrescentou, no entanto, que a ameaça ao crescimento de 4,5% perseguido pelo governo é a retração no crédito por parte dos bancos privados. "Os bancos privados não estão liberando crédito e estão cobrando spreads muito elevados", afirmou. "O Brasil é o país que cobra o maior spread do mundo. Isso não se justifica."

O ministro citou como exemplo a atuação dos bancos públicos que, desde 2009, cortaram suas taxas de juros, aumentaram o crédito e, ao mesmo tempo, registraram índices de inadimplência menores do que os do setor privado. "Os bancos públicos estão agindo. Gostaria que os privados também estivesse participando disso", afirmou.

Em relação ao impasse entre o governo brasileiro e as instituições financeiras privadas sobre a queda do spread, Mantega afirmou que os bancos públicos continuarão avaliando as necessidades do mercado de crédito e que as instituições estatais não irão se expandir expondo-se a riscos.

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