Mantega rebate crítica do FMI ao crescimento da AL

Para ministro, região 'não precisa do FMI como emprestador e muito menos como conselheiro' econômico

Nalu Fernandes, do Estadão,

19 de outubro de 2007 | 14h33

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rebateu duramente as críticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) feitas no documento "Perspectiva Econômica Mundial", divulgado essa semana, sobre a taxa de crescimento da América Latina. Para ele, "a América Latina estava na lanterna quando seguia as recomendações do Fundo no passado", disse. Os comentários de Mantega foram feitos em resposta à observação do FMI de que a "América Latina estava na lanterna da liga do crescimento global". "Hoje a América Latina é uma região muito mais dinâmica, com solidez fiscal e menor dependência externa", disse. Em função disso, acrescentou o ministro, a região é mais eficiente do que foi no passado. "Felizmente, a América Latina não precisa do FMI como emprestador e muito menos como conselheiro de política econômica", declarou. De acordo com o ministro, "quem está na lanterna das instituições multilaterais é o FMI, que atravessa crise econômica por falta de tomadores e excesso de gastos". Previsão Mantega discordou da previsão feita pelo FMI sobre o crescimento de 4,4% do Brasil em 2007, apresentada no documento "Perspectiva Econômica Mundial". "O FMI demonstra que não acompanha adequadamente o que acontece (no Brasil) e não percebe o dinamismo da economia brasileira", disse ele em entrevista exclusiva à Agência Estado. Segundo o Fundo, o Brasil deverá ter uma desaceleração do PIB para 4% em 2008. De acordo com o ministro, não há nenhum indício que sugira desaceleração da economia brasileira de 2007 para 2008, "ao contrário, a economia terá um final de ano robusto, com Natal com grande aquecimento. Portanto, haverá transmissão do crescimento de 2007 para 2008", completou. O ministro disse que estranhou a manifestação "extemporânea" do vice-diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, Charles Collyns, que observou que o Brasil tinha "muito mais" a fazer no cenário de gastos do governo. "Alguns membros do FMI têm discurso antigo de impor ajuste fiscal na América Latina. Procuram arrombar portas abertas. Nós (o Brasil) fizemos ajuste fiscal rigoroso e eficiente e as contas públicas estão bastante equilibradas", comentou. Mantega lembra que, em documentos anteriores, o FMI teceu elogios à economia brasileira. "As manifestações dele (Collyns)  são discrepantes da equipe do Rato, que tem feito análise positiva sobre o Brasil", disse.  Políticas sociais O ministro teve na quinta-feira um encontro com o diretor-gerente do Fundo, Rodrigo de Rato, na sede do FMI em Washington e afirmou que apresentou à equipe do Fundo dados que mostram ciclo de crescimento sustentado da economia brasileira. "Não houve contestação, houve reconhecimento. Mostrei ao diretor Rato que estamos há nove anos em superávit robusto e reduzindo déficit nominal. Talvez o FMI não goste das políticas sociais do governo (administração Lula), pois prefere política econômica que ignore a necessidade da população de baixa renda", afirmou. Ele acrescentou que o Fundo "perdeu a oportunidade" de apoiar políticas mais eficientes e dinâmicas da América Latina. "Por exemplo, o FMI não apoiou o Plano Real e até recentemente torcia o nariz para política econômica do governo Lula", declarou.

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