Mantega: regulação para derivativos é 'permanente'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que a regulamentação mais rígida sobre os mercados de derivativos é "permanente". "Nós teremos um controle maior sobre as operações de derivativos de agora em diante. Isso é parte de uma tendência mundial que começou com a crise financeira mundial de 2008", disse, em entrevista para a Rede Globo.

ÁLVARO CAMPOS, Agencia Estado

28 de julho de 2011 | 14h38

Mantega acrescentou que a incidência de 1% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a diferença entre a posição vendida e a posição comprada no mercado futuro de câmbio pode aumentar "a qualquer hora, se necessário". "Se nós acharmos que 1% não é suficiente para conter as posições vendidas, nós vamos elevar a taxa", afirmou o ministro. "Nós resolvemos agir quando vimos que o dólar estava derretendo ante o real", explicou.

Ontem, o governo publicou uma medida provisória (MP) que autoriza a regulação do mercado de capitais e derivativos, em um esforço para conter a valorização do real ante o dólar. Embora o IOF tenha sido estabelecido inicialmente em 1%, a MP permite que as autoridades elevem o imposto para até 25% a qualquer momento.

O real já ganhou mais de 20% ante o dólar nos últimos dois anos, sendo que só em 2011 a moeda brasileira já subiu 7%. Segundo Mantega, o real forte prejudica os exportadores e a indústria brasileira. Boa parte da valorização do real se deve às altas taxas de juros brasileiras. Atualmente a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) está em 12,5%, encorajando operações de arbitragem (carry trade) entre investidores que tomam dólar emprestado com juros baixos e investem esse dinheiro no Brasil para obter retornos maiores em investimentos de renda fixa. As informações são da Dow Jones.

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