Mantega sinaliza novo corte se alta de 7,7% for aprovada

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo, o Ministério da Fazenda irá propor um novo corte de despesas no Orçamento para manter o equilíbrio fiscal do País. Mantega afirmou que é preciso ser cauteloso com o aumento dos gastos para que o País não perca a situação privilegiada de ter contas sólidas. Ele afirmou que não há como conceder um aumento de 7,7% para os aposentados. "Para conceder esse reajuste teríamos de fazer novos cortes no Orçamento, mas essa é uma decisão que será tomada pelo presidente Lula", explicou.

RENATA VERÍSSIMO E ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

26 de maio de 2010 | 14h47

Mantega disse que, caso o presidente vete o aumento, o governo terá de editar uma medida provisória para restabelecer o reajuste de 6,14% que está sendo pago desde janeiro. Segundo ele, sem essa medida provisória, o reajuste cairia para 3,5%, que era a correção prevista. "Por isso, é inevitável dar um abono para voltar aos 6,14%, mas isso está indefinido", disse Mantega.

FMI

Mantega disse também que sugeriu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que inclua o yuan (moeda chinesa) e o Real como possibilidade de moedas de conversão para o Direito Especial de Saque (DES) da instituição. O Direito Especial de Saque funciona entre os bancos centrais e pode ser trocado por moeda, com o aval do FMI.

Segundo o ministro, hoje apenas quatro moedas podem ser convertidas: o dólar, o iene, libra e o euro. "Nós achamos que já nos habilitamos como uma moeda de valor", afirmou o ministro. Mantega disse que a sugestão do Brasil não significa reduzir a importância do dólar no mercado, mas sim aumentar as opções de recursos no DES.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que o DES pode ter um papel maior, dentro das reservas internacionais dos países, mas não no curto prazo. Ele disse que o dólar continuará sendo a moeda preponderante, em função do tamanho da economia dos Estados Unidos.

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