Mantega sobre meta inflação: mudar é possível, mas improvável

O Conselho Monetário Nacional (CMN) pode, mas não deverá mudar a meta de inflação. A afirmação foi dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao deixar o Ministério para participar de uma reunião no Palácio do Planalto. "Tudo é possível, mas não sei se é provável. Não há impedimento de natureza legal ou técnica para subir ou baixar, mas não sei se é provável, não vou antecipar o resultado", disse.As metas de inflação deste ano e de 2007 estão fixadas em 4,5%, com dois pontos porcentuais de tolerância, para cima ou para baixo. Na quinta-feira, o CMN decide se mantém a meta para o próximo ano e vai fixar a de 2008. Mantega também voltou a repetir que é possível que haja, na reunião de quinta-feira, um corte na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje fixada em 8,15% ao ano.CâmbioO ministro afirmou também que as medidas para mudar a legislação cambial em estudo pelo governo estarão concluídas em "duas ou três semanas". Segundo ele, o governo tem estudado as mudanças de "forma parcimoniosa, com calma e cuidado".Segundo o Mantega, o objetivo é facilitar o fluxo de capitais, reduzindo o custo da intermediação, mas de forma que, havendo necessidade, o Conselho Monetário Nacional possa suspender imediatamente estes benefícios. "Queremos queimar algumas etapas, de modo que parte dos recursos que o exportador vai gastar já possa ficar lá fora", explicou ao se referir à possibilidade de os empresários poderem quitar suas dívidas no exterior antes de internalizarem os dólares recebidos pelas exportações realizadas.Ele negou que os sucessivos adiamentos do anúncio das medidas tenham ocorrido em função das recentes turbulências nos mercados financeiros. "Isso não pesou porque são medidas para vigorar a qualquer tempo, para um novo cenário no País de abundância de capital externo. São adaptações às novas necessidades do Brasil, mas com toda a cautela para que o CMN, a qualquer momento, possa suspender estes privilégios."

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