Mantega sofre ataques em audiência na Câmara

O clima esquentou na audiência pública da Câmara, na qual o ministro da Fazenda, Guido Mantega fala nesta quarta-feira, 26, sobre perspectiva de crescimento da economia, com ataques ao ministro e discussões entre parlamentares da base do governo e da oposição.

ADRIANA FERNANDES, RENATA VERÍSSIMO E LAÍS ALEGRETTI, Agencia Estado

26 de junho de 2013 | 13h57

Os ânimos se acirraram quando o deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ) acusou o ministro de ter "surto psicótico" por ter errado sistematicamente em suas avaliações da economia. Mantega em tom mais elevado interrompeu: "eu não costumo ter surto psicótico". Maia insistiu nas críticas, citando a atuação do BNDES e o aumento da dívida pública bruta no Brasil. Mantega respondeu que o Brasil tem um dos maiores superávits primários do mundo acusou Maia de ignorar a crise. "Parece que ele vive num mundo sem crise. Eu gostaria que o mundo fosse esse", afirmou. "Talvez Maia ache que eu e a presidente Dilma somos responsáveis pela crise mundial", disse. O deputado fez uma breve intervenção e respondeu ao ministro: "Mas pelo Brasil o senhor é responsável".

O líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), saiu em defesa do ministro, dizendo que Mantega tem segurança e é com ele que o governo chegará ao final do ano com crescimento econômico. O líder afirmou que não há descontrole na inflação e nas contas públicas e que esse "frisson" em torno da economia é por conta da disputa eleitoral do ano que vem.

Na sequência, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) afirmou que "o mundo do ministro da Fazenda e do líder do PT (José Guimarães-CE) é o mundo de Spielberg, de ficção científica", em referência ao cineasta Steven Spielberg. O parlamentar oposicionista disse ainda "temer pela segurança" de Guimarães, caso ele diga nas ruas que a inflação de alimentos está caindo. "Eu queria perguntar onde é a feirinha do Zé Guimarães", provocou.

Em resposta, Mantega afirmou que não mostrou dados de ficção. "Eu mostrei aqui o IPCA, que mostra a inflação caindo", disse. "Se quiser, da próxima vez podemos abrir os números, discutir hortaliças, carnes. Me parece que seria perder o tempo do parlamento com isso. Não estamos discutindo previsões, estamos discutindo realidade."

Já o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) lembrou que a revista The Economist sugeriu mudanças na equipe econômica e acusou o governo de não estar atento às ruas. "Essa política anticíclica claramente leva à inflação. Os preços sobem em todo lugar, mas não na feirinha de Jose Guimarães". E continuou: "Essa amostra grátis de protestos feita aqui pode se transformar numa Bastilha e vai faltar guilhotina. Eu sugiro que governo escute o clamor das ruas e interprete o que ocorre com endividamento das famílias e os gastos pífios em saúde", disse.

A base do governo na Câmara engrossou então a defesa de Mantega. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) foi o mais enfático. "É lamentável as manifestações agressivas e de baixo nível. Nós sabemos que quem usa de agressão é porque falta argumento", disse Dirceu. Ele afirmou que a oposição mente e quer colocar sobre o ministro a taxa de quem erra as previsões. "A posição é quem erra, era quem previa uma grande crise energética no País. Não era só previsão, era um torcida", afirmou o deputado.

Segundo Dirceu, além de errar, a oposição mente, por exemplo, quando acusa o governo de ter gastos estratosféricos com pessoal. "O mais importante é que, mesmo neste momento de manifestação na rua, a população pensa como nós e está otimista. A torcida que a oposição faz é para que não dê certo", afirmou o deputado.

O deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG) também lamentou as agressões de deputados da oposição e sugeriu que estas palavras fossem retiradas da ata da reunião. Segundo ele, o ministro é bem-vindo à Casa. O deputado Cláudio Putti (PT-PA) disse que a oposição quer o aumento dos juros e do desemprego.

O clima continuou pesado, no entanto, com críticas à atuação do governo no financiamento dos negócios de Eike Batista, do Grupo EBX. O deputado Cesar Colnago (PSDB-ES) disse que as empresas de Eike receberam, entre 2007 e 2011, R$ 1 bilhão em participação acionária e R$ 10,5 bilhões referente a financiamentos. Ele ainda reclamou que o BNDES não passa as informações sobre os financiamentos alegando sigilo bancário.

O líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), também entrou no coro e disse que "a reação popular tem nome: governo Dilma e ministro Guido Mantega como coordenador da política econômica do País". "Eles, que se gabavam de ter nascido de movimento das ruas, nunca imaginaram que o povo se voltaria contra toda essa política implantada nos últimos dez anos", disse Caiado, em referência ao PT. "O dinheiro do povo brasileiro foi utilizado para escolha das empresas campeãs no Brasil. Eu pergunto: algum governo enriqueceu tantos cartéis nesse País como o governo PT?" Caiado disse que a JBS "define o preço que quiser no Brasil" e que Eike Batista "pode fazer aqui orgias mirabolantes".

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