Mantega: superávit primário não será maior que 4,3%

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou hoje qualquer alteração na meta de superávit primário (economia que o governo faz para pagamento de juros da dívida) para tentar desacelerar a demanda agregada e, por conseqüência, a inflação no País. O ministro disse que "não foi feita nenhuma alteração" na meta, recentemente elevada para 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB), em um esforço fiscal adicional aos 3,8% previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). As afirmações foram feitas após reunião do ministro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e economistas convidados, no Palácio do Planalto. "O esforço de 4,3% não é pequeno", afirmou Mantega. Mantega também comentou o rumor publicado nos jornais de hoje de que a meta poderia ser elevada para 4,8% do PIB. Ele deu a entender que pode ter havido confusão, já que a meta atual de 4,3% equivaleria a um esforço de 4,8% ou 4,9% se fossem usados os parâmetros de cálculo do PIB que vigoravam em 2003. "Se compararmos com 2003, o esforço primário era de 4,25% do PIB. Só que o PIB era outro. E após a mudança do cálculo, virou 3,8%. Se fosse usado esse mesmo parâmetro, (o primário atual) é como se fosse 4,8% ou 4,9% daquela ocasião."Medidas adotadasO ministro disse que as medidas já adotadas pela equipe econômica para desacelerar a inflação, como o esforço adicional de 0,5 ponto porcentual do superávit primário, aumento da taxa básica de juros (Selic), elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), criação de compulsório para depósitos interbancários de arrendamento mercantil e desoneração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis e de tributos sobre o trigo, são "medidas eficientes". Ele explicou que essas decisões reduzem a demanda agregada e também têm efeito na desaceleração do ritmo de expansão do crédito. Esse conjunto de medidas, segundo Mantega, tem como objetivo "manter a demanda que garanta um crescimento do PIB em torno de 5%".Ele observou que as decisões tomadas até agora buscam combater a inflação sem perder de vista a necessidade de manter as condições de crescimento da economia. "Não é para acabar com a demanda, é para desacelerar o ímpeto dela".

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