Mantega: temos arsenal contra o câmbio

Ministro da Fazenda não adianta nenhuma medida, mas diz que o governo vai atuar com determinação para evitar sobrevalorização do real

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro ontem, em São Paulo, que o governo atuará com energia para evitar que ocorra sobrevalorização excessiva do câmbio.

"Eu não posso anunciar as medidas, mas o governo tem várias medidas, seja o Banco Central, seja o Ministério da Fazenda, que podem ser tomadas", disse o ministro. "Não faltam instrumentos, não falta arsenal para isso e serão tomadas caso seja necessário", enfatizou Mantega.

"Estamos comprando um volume muito maior de dólares. Devemos estar com US$ 270 bilhões de reservas cambiais, mais as reservas que o Tesouro tem, porque o Tesouro também andou comprando dólares", destacou o ministro, sem esclarecer se tal compra pelo Tesouro já foi feita pelo Fundo Soberano.

Na sexta-feira, o Banco Central informou que, na véspera, as reservas internacionais somavam US$ 273,042 bilhões, no conceito de liquidez internacional. "Continuaremos comprando, não deixando sobrar dólares no mercado", reiterou Mantega, enfatizando que o governo continuará ativo no mercado de dólar.

Segundo o ministro, o governo tinha a expectativa de que a operação de capitalização da Petrobrás iria trazer muitos recursos externos ao País, o que acabaria pressionando o câmbio. Agora, segundo Mantega, o governo vai observar qual o comportamento das cotações nos próximos dias para decidir como vai atuar. "Passada essa situação, deve haver uma calmaria, com menor pressão para valorização do câmbio. Mas, se não houver, nós estaremos levando em consideração os instrumentos que temos para agir", disse Mantega.

O ministro da Fazenda negou que o governo queira taxar investimentos estrangeiros no País, mas enfatizou que está atento para coibir a ação de capitais especulativos, se for preciso.

"Nós colocamos IOF para aplicação de renda fixa e bolsa e isso já deu certo resultado positivo. Não pretendemos taxar investimento estrangeiro, pois é muito positivo para o País. Porém, há outras medidas na esfera das aplicações de renda fixa ou de alguma especulação que possa haver via capital de curto prazo e poderemos tomar medidas nesse sentido, caso seja necessário, para impedir uma sobrevalorização do real", disse o ministro.

Guerra. Em palestra na Fiesp, Mantega disse que o mundo enfrenta uma guerra comercial e uma guerra cambial. Segundo ele, governos de vários países, incluindo Estados Unidos e Japão, estão permitindo a desvalorização de suas moedas a fim de conquistar mercados de países que apresentam bom desempenho interno, como é o caso do Brasil.

Mantega ressaltou que a próxima reunião do G-20 levará as autoridades do grupo à manifestação de que a gestão cambial precisa ser muito mais harmoniosa entre seus participantes. "Eu acho que o câmbio flutuante é o melhor sistema, mas precisa ser flutuante para todo mundo", comentou. O ministro também destacou que a desvalorização de moedas internacionais, como o dólar, traz preocupações legítimas às indústrias brasileiras.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.